Título: Na PF, Freud nega envolvimento com dossiê
Autor: Plinio Teodoro
Fonte: O Globo, 30/09/2006, O País, p. 9
Ex-assessor especial da Presidência repete que conheceu Gedimar Passos por intermédio de Jorge Lorenzetti
SÃO PAULO. Em depoimento de duas horas e meia na Polícia Federal, Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, negou estar envolvido nas negociações de compra do dossiê contra políticos do PSDB. Freud disse que conheceu o advogado petista Gedimar Passos, preso no dia 14 com o dinheiro do dossiê, por intermédio de Jorge Lorenzetti, funcionário da campanha do presidente.
Freud contou aos policiais que conheceu Gedimar em agosto, quando ambos trataram de assuntos referentes à prestação de serviços da empresa Caso Sistemas de Segurança. A empresa, que pertence à mulher de Freud, teria feito a segurança de um evento que foi realizado em 19 de agosto no comitê de campanha de Lula, em Brasília
Freud dá detalhes de seus encontros com Gedimar
No depoimento, Freud detalhou datas e horários de contatos com Gedimar Passos. Segundo o advogado Augusto Arruda Botelho, Freud e Gedimar teriam tido um último encontro casual em 29 de agosto, na sede do PT em São Paulo.
- Não conseguimos, nem a polícia consegue, imaginar uma hipótese da razão do surgimento do nome de Freud entre os envolvidos na suposta intermediação desse dossiê. Felizmente está cada vez mais clara a hipótese de não-participação do Freud neste episódio - disse.
Segundo o advogado, foram pelo menos três contatos telefônicos e o encontro casual no diretório do PT de São Paulo.
- Essas ligações telefônicas que Freud fez são documentalmente comprovadas pela própria Polícia Federal. São ligações curtas para tratar de detalhes do deslocamento da equipe de segurança da empresa da mulher dele, que estaria indo de São Paulo para Brasília.
O advogado disse que, na semana em que Valdebran Padilha e Gedimar Passos foram presos negociando o dossiê, Freud estaria trabalhando em Brasília, e por isso não teria participado da negociação do dossiê.
- Durante toda a semana da suposta negociação do dossiê, Freud estava em Brasília, trabalhando como assessor da Presidência da República - afirmou o advogado.
O advogado Augusto Arruda Botelho lembrou que seu cliente respondeu a todas as perguntas feitas pelo delegado Diógenes Curado e pelo procurador da República Mário Lúcio Avelar. O advogado afirmou que, até agora, eles não entenderam por que Lorenzetti, que integrava a equipe da campanha de reeleição do presidente Lula, citou o nome de Freud em seu depoimento à PF.
O advogado disse ainda que pediu reconsideração do despacho da Justiça de Mato Grosso que decidiu pela prisão de Freud e de outros envolvidos no escândalo do dossiê. A prisão foi decretada pela Justiça esta semana, mas os envolvidos não foram presos por causa da proibição da Justiça Eleitoral, que só permite prisão em flagrante no período pré-eleitoral. Depois do depoimento, Freud deixou o prédio da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo por volta das 19h.