Título: Lula e o governo recebem elogios na imprensa francesa
Autor: Deborah Berlinck
Fonte: O Globo, 30/09/2006, O País, p. 15
PARIS. Só deu Lula na imprensa francesa esta semana. Às vésperas das eleições presidenciais, os principais jornais e TVs fizeram várias reportagens sobre o governo, dando quase sempre uma nota positiva. Lula, para a imprensa francesa, tornou o Brasil "menos desigual", como disse o prestigioso "Le Monde", num de seus vários artigos sobre as eleições. Os escândalos políticos não abalaram o prestígio de Lula na França. Para a esquerda francesa, ele continua um modelo.
O "Libération" publicou duas páginas sobre educação. Sob o título "A cor pálida das universidades", o jornal foi a campo explicar porque os negros e mestiços do país, que são a metade da população, têm pouco acesso ao ensino superior.
O "Le Monde" foi a São Bernardo acompanhar o último dia de campanha de Lula. O enviado especial do jornal lembra que pessoas à volta do presidente foram atingidas por "mais um escândalo". Mas diz que Lula continua o grande favorito e pode ser reeleito no primeiro turno. Para o "Le Figaro", conservador, o Brasil de Lula é menos pobre e mais estável. O jornal fala do pragmatismo econômico do governo, mas conclui que o país está longe do "espetáculo do crescimento" anunciado.
Imprensa no exterior destaca carisma de petista
Jornal britânico relata 'impressionante volta por cima' após crises
Os jornais "The Independent" e "El País" destacaram ontem o sucesso e o carisma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os brasileiros, a partir das pesquisas de intenção de voto às vésperas das eleições. O diário britânico destacou a "impressionante volta por cima" do presidente, chamado de líder carismático do Brasil, "apenas um ano após uma série de escândalos ameaçar pôr fim à sua carreira", enquanto o espanhol afirma que o ex-sindicalista "empregou seu carisma para se esquivar de escândalos e tornar-se favorito nas eleições".
O "Independent" ressalta a ausência do presidente candidato no debate na TV Globo, anteontem à noite, e cita trechos do discurso em comício de encerramento da campanha organizado pelo PT, no mesmo horário, em São Bernardo do Campo, cidade em que Lula iniciou sua carreira política, como sindicalista. A reportagem conta que ele fez rápida referência ao debate, em que foi representado por uma cadeira vazia: "Não há lugar mais importante para estar do que aqui."
O jornal ainda registra constantes referências do presidente a bebidas alcoólicas - foco da crise com o jornalista americano Larry Rother, correspondente do "New York Times", no início do governo petista. A matéria registra que o presidente, saudado por militantes do PT, reagiu: "Um monte de gente costumava aparecer na minha casa para uma dose no fim do dia. Eu sei que vocês todos se lembram das caipirinhas que fizemos juntos".
O "Independent" relaciona o bom desempenho de Lula nas pesquisas à criticada política social petista, que ampliou o Bolsa Família e elevou a renda da população mais pobre. Mas expõe os baixos índices de crescimento econômico, a desilusão de parte do eleitorado que o pôs no cargo em 2002 e as preocupações de ambientalistas, que o acusam de deixar a preservação da Amazônia em segundo plano e recentemente indicaram o presidente para uma duvidosa honraria: o troféu Golden Chainsaw (Serra Elétrica de Ouro).
"El País" descreve uma nação ainda apaixonada
Já o "El País afirma: "Lula ainda apaixona o Brasil". Mostrando sua vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin, o jornal afirma que "os escândalos que irromperam em seu entorno, tanto no governo federal como no Partido dos Trabalhadores, parecem não afetar a boa imagem do presidente. Lula, incansável, caminha para uma grande vitória no próximo domingo". Mas relata que os últimos casos de corrupção têm preocupado os assessores por reduzir essa vantagem, forçando a realização de segundo turno, "extensão da campanha eleitoral na qual tudo poderia ocorrer".