Título: REVIRAVOLTA NA BAHIA: WAGNER DERROTA GRUPO DE ACM
Autor: Heliana Frazao
Fonte: O Globo, 02/10/2006, O País, p. 25

Petista cola sua imagem à do presidente Lula e é eleito no primeiro turno, contrariando todas as projeções

SALVADOR. A Bahia protagonizou ontem a mais espetacular virada destas eleições, com a vitória, em primeiro turno, do ex-ministro Jaques Wagner (PT) para o governo do estado, contrariando todos os prognósticos, que apontavam um confortável favoritismo do governador Paulo Souto (PFL), candidato apoiado pelo senador Antonio Carlos Magalhães. Souto seria reeleito em primeiro turno, diziam as projeções.

Às 22h30m, a apuração do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Bahia mostrava que Wagner tinha 53% dos votos válidos e Souto, 41%. A soma de todos os outros candidatos, com a exceção do petista, alcançava 47% dos votos válidos, o que garantiu a vitória do ex-ministro de Relações Institucionais do governo Lula.

A mudança de rumo nas eleições baianas começou a se delinear na noite anterior à votação, quando a pesquisa do Ibope mostrou redução significativa da distância entre os dois principais candidatos. Ainda assim, a expectativa era de decisão em segundo turno. O feito de Wagner confirma uma constatação do ex-governador Octávio Mangabeira que virou folclore no estado: ¿Imagine o absurdo. Na Bahia tem precedente¿.

O governador eleito comemorou a vitória, dizendo que nunca duvidou desse resultado. Mas afirmou que os institutos de pesquisa terão que se explicar:

¿ Eles vão ter que dizer se estavam mentindo, se estavam vendidos.

Segundo Wagner, seu adversário está pagando o preço da falta de ousadia ou de coragem de trilhar um caminho próprio, insinuando uma subserviência do governador Paulo Souto ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

Abatido, Souto disse que sai tranqüilo por ter cumprido sua missão e que, na política, é preciso estar preparado para as derrotas.

Jaques Wagner votou de manhã no Colégio Lívia Coelho, em Arembepe, município de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador. Ele foi recebido com foguetório pela militância, na companhia do ministro da Defesa, Waldir Pires, e dos candidatos a deputado federal, Nelson Pellegrino, Emiliano José e Alice Portugal. Depois, acompanhou as apurações em sua casa, no bairro da Federação, em Salvador.

No Palácio de Ondina, residência oficial do governo baiano, o clima era de perplexidade. Souto aguardou o resultado ao lado de seu vice, Eraldo Tinoco, e dos senadores César Borges e Rodolpho Tourinho, este último também derrotado.

Wagner: vitória graças a carinho dos baianos por Lula

Pela manhã, Paulo Souto, assim como Wagner, afirmava que seria vitorioso logo no primeiro turno. Ao ser questionado se estava preparado para uma segunda rodada de campanha, o governador, ao lado de sua mulher, fora categórico:

¿ Não. Estou pensando muito firmemente em decidir as eleições ainda hoje ¿ respondeu, ao deixar o colégio estadual no bairro Jardim Armação, perto da orla, onde votou logo cedo.

A estratégia vitoriosa de Wagner foi alinhar sua campanha à imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele atacou a administração de Paulo Souto e abusou da recomendação da executiva nacional do PT, de dar maior visibilidade às ações federais, chegando a anunciar um aumento do alcance do Bolsa Família. Com isso, fez Lula perder quatro minutos e um segundo no seu último programa como candidato à reeleição, porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu que houve excesso de uso da imagem do presidente.

Após a confirmação do resultado, Wagner atribuiu mais de 50% da sua vitória ao ¿carinho que os baianos têm com o presidente Lula e pelo fato de trafegarmos uma mesma caminhada, defendermos um mesmo projeto de governo¿.