Título: HAMILTON PEREIRA TEM SIGILO QUEBRADO
Autor: Alan Gripp e Bernardo de la Peña
Fonte: O Globo, 05/10/2006, O País, p. 19

PF espera que dados indiquem a origem do dinheiro que pagaria dossiê

CUIABÁ. A Justiça Federal do Mato Grosso autorizou a quebra do sigilo telefônico de Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha do senador petista Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, investigado por ter sido apontado como o responsável por levar R$1,7 milhão aos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, presos no hotel Ibis, em São Paulo. O dinheiro seria entregue ao empresário Luís Antônio Vedoin em troca do dossiê contra os tucanos.

A Polícia Federal aguarda os dados referentes às ligações de Hamilton. Eles poderão ajudar nas investigações sobre a origem do dinheiro que seria usado pelos petistas para comprar o dossiê.

Desde o começo das investigações, a Polícia Federal já fez 70 pedidos de quebras de sigilos telefônicos, que foram atendidos pela Justiça. Uma parte dessas quebras trata de requisições de extratos telefônicos de pessoas e empresas. Outra é relativa a pedidos de acesso apenas ao cadastro da companhia telefônica. Isso ocorre quando os investigadores precisam saber quem é o proprietário de determinado número.

Empresa não tem controle sobre as notas de dólares

A Justiça Federal também autorizou outras seis quebras de sigilo bancário de pessoas investigadas no caso e de instituições financeiras pelas quais teria passado o dinheiro apreendido com os petistas. Na tentativa de identificar os responsáveis pela operação e a origem do dinheiro, os policiais já ouviram 14 depoimentos e o inquérito do caso já registra 531 páginas.

Ontem, entretanto, a PF obteve uma negativa da empresa de segurança Brinks ao tentar descobrir o caminho feito pelos US$248 mil apreendidos com Gedimar e Valdebran. Já foi descoberto que os dólares faziam parte de um lote de US$15 milhões comprados pelo Banco Sofisa, em São Paulo. O banco vendeu regularmente esses dólares para 20 corretoras e casas de câmbio. A PF havia requisitado à Brinks informações sobre quais notas tinham sido entregues a cada instituição, mas a empresa disse não ter esse tipo de controle.

A CPI dos Sanguessugas decidiu entrar ontem nas investigações sobre a origem do dinheiro para comprar o dossiê. O sub-relator da CPI, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), informou que três parlamentares da comissão vão a Mato Grosso para acompanhar as investigações.

Sub-relator da CPI quer ter acesso ao inquérito

Delgado e os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) devem ouvir Vedoin, conversar com o delegado Diógenes Curado Filho, responsável pelas investigações, e com o juiz Jeferson Scheneider, titular do caso, na próxima segunda-feira.

¿ O que recebemos foi um DVD com imagens de ambulâncias sendo entregues. Isso não é prova contra nada. Temos que saber o que houve, para demonstrar se isso era ou não eleitoreiro. Parece que foi um jogo para desmoralizar determinadas candidaturas ¿ disse Delgado, que pretende ter acesso ao inquérito.