Título: DOSSIÊ: PLANO B PRETENDIA COMPROMETER ABEL
Autor: Alan Gripp e Bernardo de la Peña
Fonte: O Globo, 05/10/2006, O País, p. 19

Valdebran diz à PF que se a compra de documentos fracassasse, petistas planejavam vazar informações

BRASÍLIA e CUIABÁ. Os petistas envolvidos na operação de compra do dossiê contra políticos do PSDB tinham na manga um plano B para o caso de fracasso na negociação com o chefe da máfia dos sanguessugas, o empresário Luiz Antônio Vedoin. A estratégia consistia em vazar para a imprensa, 15 dias antes do primeiro turno das eleições, informações e documentos bancários sigilosos que comprometem o empresário Abel Pereira. Abel seria intermediário para a liberação de recursos junto a Barjas Negri, que sucedeu José Serra no cargo de ministro da Saúde.

O plano foi confirmado anteontem pelo petista Valdebran Padilha à Polícia Federal de Cuiabá, ao qual O GLOBO teve acesso. Ao desconfiar que Vedoin também estava negociando o dossiê com Abel, Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil que tomou a frente das negociações, enviou uma mensagem para o celular de Valdebran dizendo: ¿Chegou infs (informações) de q (que) estão negociando o silêncio c (com) Abel. Estamos pensando plano B¿.

Segundo contou Valdebran, o plano B seria divulgar informações já reveladas a Expedito e a Gedimar Passos que faziam parte do conteúdo do dossiê, que tentava vincular Serra e o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, às fraudes da organização criminosa. Expedito também tinha nas mãos cópias de cheques das empresas de Vedoin, que supostamente teriam sido entregues a Abel para o pagamento de propina em troca da liberação de recursos.

Em depoimento no último dia 22 à PF de Brasília, Expedito revelara que estava com a relação de pagamentos. Na ocasião, indicou ter usado a documentação para chantagear Vedoin, com o objetivo de conseguir o dossiê de graça. Expedito afirmou que avisou que ¿iria apresentá-los (os cheques) à Justiça de qualquer forma e, fazendo isso, os Vedoin perderiam o benefício da delação premiada (por esconder provas da Justiça)¿.

A PF investiga se Expedito usou o cargo para quebrar o sigilo bancário das empresas de Vedoin e obter os documentos. Ele era assessor do comitê de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Valdebran foi preso pela Polícia Federal no dia 15 de setembro num hotel de São Paulo com R$1 milhão em notas de real e dólar arrecadados pelos petistas para pagar o dossiê. No depoimento de anteontem, ele descreveu com detalhes a cronologia da negociação, que começou ainda em agosto, em Cuiabá, quando Expedito e Gedimar se reuniram pela primeira vez, no dias 23 e 24, com Luiz Antônio Vedoin e seu pai, Darci Vedoin. Daí para frente, foram mais três encontros.

Depoimento de diretor do BB é questionado por advogados

Os advogados do empresário Abel Pereira, acusado pelo empresário Luis Antônio Vedoin de ser o intermediário entre o esquema de venda de ambulâncias superfaturadas e o Ministério da Saúde, estiveram na quarta-feira na Polícia Federal do Mato Grosso para tomar conhecimento do inquérito aberto para investigar as denúncias.

Para o advogado de Abel, Eduardo Silveira Melo Rodrigues, a instauração de um inquérito feito com base no depoimento do diretor do Banco do Brasil, Expedito Veloso, um dos petistas investigados, é uma evidência de que ou o dirigente do BB violou o sigilo do seu cliente ou estava negociando com Vedoin os documentos. Ele explicou que, além do depoimento de Expedito, no inquérito instaurado para investigar as denúncias de corrupção contra o seu cliente existe uma lista de cheques que teriam sido depositados por Vedoin em contas supostamente indicadas por Abel. Os advogados negam as denúncias contra o seu cliente, que foi apontado como uma pessoa próxima ao ex-ministro da Saúde e hoje prefeito de Piracicaba, Barjas Negri.

*Enviado especial