Título: Entre acusações, a de formação de quadrilha
Autor: Ricardo Galhardo e Tatiana Farah
Fonte: O Globo, 05/10/2006, O País, p. 21
Ex-senador responde a cinco processos; esta é a sua terceira prisão
SÃO PAULO. O ex-senador Luiz Estevão é acusado, pelo Ministério Público Federal, de vários crimes relacionados a cinco processos. Entre as acusações, estão as de peculato, estelionato, formação de quadrilha, corrupção passiva e falsificação de documentos, ao lado do ex-presidente do TRT-SP Nicolau dos Santos Neto e do empresário Fábio Monteiro de Barros.
Luiz Estevão acabara de ser interrogado em uma ação por improbidade administrativa no Fórum da Justiça Federal Cível, na Avenida Paulista, por volta das 17h30m, quando recebeu voz de prisão.
Transferência para Brasília será feita hoje
O ex-senador foi levado por agentes da Polícia Federal ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exame de corpo de delito, e desde então está preso na carceragem da Polícia Federal, onde chegou por volta de 18h30m. Segundo o órgão, ele deve ser transferido hoje para Brasília, onde está seu domicilio.
Esta é a terceira vez que o ex-senador é preso desde 2000. A primeira, com retoques cinematográficos, contou com a participação de três delegados federais e de 25 agentes da Polícia Federal, e aconteceu em 2000. Na ocasião, ele pediu apenas para não ser algemado e apareceu com uma Bíblia azul nas mãos.
A segunda prisão do ex-senador aconteceu no ano passado. Depois de uma temporada no ostracismo, Luiz Estevão voltou à tona, agora como cartola do Braziliense, time de futebol da capital federal. Durante uma discussão, ele desacatou um oficial do Corpo de Bombeiros que interditou o estádio do time, e passou seis horas detido, sendo solto após o pagamento de uma fiança no valor de R$200.
Amigo do ex-presidente Fernando Collor de Mello (senador eleito pelo PRTB de Alagoas), Luiz Estevão ganhou notoriedade no cenário político como o primeiro senador a ser cassado na história da República.
O episódio também acabou levando às renúncias dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (PFL-DF), acusados de violarem o painel de votações do Senado. Antonio Carlos Magalhães voltou ao Congresso no ano seguinte. José Roberto Arruda foi eleito, no último domingo, governador do Distrito Federal.