Título: PRODUÇÃO INDUSTRIAL AVANÇA DEVAGAR
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 06/10/2006, Economia, p. 33
Números mostram que investimento no setor cresceu mais que a média
Num ritmo moderado, a indústria brasileira acumulou dois meses seguidos de alta. Em agosto, a variação foi de 0,7% frente a julho, que registrou a mesma taxa, e ficou dentro das expectativas do mercado, informou ontem o IBGE. Com essas altas, a produção alcançou o seu maior nível em termos de quantidade de bens produzidos, superando em 0,3% o de maio, que era, até então, o maior da série histórica iniciada em 1991. Entre junho e julho, a produção era praticamente a mesma de dezembro do ano passado. No ano, o crescimento acumulado é de 2,8% e, em 12 meses, de 2,2%. Na comparação com agosto de 2005, a taxa foi de 3,2%.
¿ Na comparação com o patamar (quantidade produzida) de dezembro, a alta foi de apenas 1%. Isso mostra o crescimento bastante moderado da indústria ¿ disse Alexandre Maia, economista-chefe da GAP Asset.
Essa também foi a análise feita pelo coordenador de Indústria do IBGE, Silvio Sales. Ele cita os indicadores de tendência, que acompanham os trimestres, para justificar sua avaliação de que há cinco trimestres a produção cresce:
¿ A indústria avança de forma permanente, mas discreta. Nesse bimestre, de julho de agosto, a alta foi de 1,4%, puxada pela produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) e de insumos, com a redução na categoria de bens não-duráveis (alimentos, vestuário e calçados).
O economista do IBGE listou os setores exportadores, principalmente de commodities como os indutores do crescimento em agosto. No mercado interno, a produção de máquinas e equipamentos foi o destaque.
¿ A importação é um dos fatores a reduzir o ritmo da indústria ¿ afirma.
Bens duráveis sofrem com concorrência externa
O elemento que surpreendeu foi o comportamento de bens de capital (ramo da indústria voltado para máquinas e equipamentos), com alta de 2,8% de julho para agosto e de 7,4% na comparação com o mesmo mês de 2005.
¿ Ao contrário dos meses anteriores, os bens de capital tipicamente voltados para a indústria aumentaram a produção. Antes, esse tipo de item estava mais concentrado em ramos de fora da indústria. Tudo isso significa aumento da capacidade produtiva ¿ afirmou Sales.
Maia, da GAP, diz que esses números indicam que a economia brasileira pode crescer com inflação baixa:
¿ Não há risco de gargalos inflacionários.
Os bens não-duráveis (alimentos, remédios, roupas e calçados) foram a notícia ruim trazida pela pesquisa. Houve queda de 0,9% frente a julho, puxada pelo comportamento de vestuário e calçados:
¿ O lado negativo veio das indústrias de calçados e confecções, que sofrem a concorrência dos importados e perderam fôlego nas exportações ¿ disse Sales.
Nos bens duráveis (eletrodomésticos e automóveis), a produção ainda cresce, mas a importação desses bens aumentou 93% em agosto.