Título: MANTEGA DIZ QUE PODERÁ FAZER NOVOS CORTES
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 06/10/2006, Economia, p. 33
Depois da liberação de R$1,3 bilhão, ministro diz que outros ajustes podem ser feitos para cumprir meta
BRASÍLIA. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem que o governo poderá anunciar novo corte no Orçamento, em novembro, para fazer frente às despesas anunciadas na quarta-feira, no valor de R$1,3 bilhão. Outros quase R$200 milhões foram só remanejados. Isso ocorreria caso os bons números da arrecadação de setembro ¿ ainda não divulgados pela Receita Federal ¿ não se confirmem e haja ameaça ao cumprimento da meta de superávit primário (economia para pagamento de juros), de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Há dez dias, a revisão do bimestre julho-agosto já havia resultado em corte de R$1,6 bilhão.
¿ No próximo relatório de despesa, eu posso fazer uma restrição de R$3 bilhões, R$4 bilhões, caso a receita venha a cair. Não é isso que está acontecendo, é bom deixar claro. A receita está crescendo. Então, no próximo relatório, a tendência vai ser aumentar a previsão de receita para o ano e não diminuí-la ¿ ponderou.
¿Não houve critério político¿, diz ministro sobre gastos
O ministro defendeu a decisão do governo de anunciar novos gastos ¿ que beneficiam estados como São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais, Rio, onde Lula tenta manter a dianteira, e Rio Grande do Sul, no qual o presidente precisa recuperar fôlego ¿ apenas três dias após a definição de segundo turno na corrida presidencial. Segundo ele, créditos extraordinários são concedidos todos os meses do ano, sendo uma medida rotineira.
¿ Certamente, (a liberação) não obedeceu a nenhum critério político. Se é o Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, nem sei. Talvez até (os recursos) tenham sido tirados de algum lugar onde era mais necessário do ponto de vista eleitoral. Esse critério não entrou em discussão.
Mantega destacou que a maior parte dos recursos foi destinada ao combate à gripe aviária e ao pagamento de tarifas à Caixa Econômica Federal e outros órgãos do governo, neste caso por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). Diante da insistência de jornalistas de que a liberação poderia ser vista como uma forma de influenciar o processo eleitoral, o ministro ironizou:
¿ Me expliquem como isso pode ter efeito eleitoral. Vocês acham que a gente não devia liberar recursos para a gripe aviária? No mês de outubro, só porque é eleitoral, a gente paralisa o país? A gripe aviária, os bichinhos da gripe aviária não vão ficar esperando a eleição. Não dá para dizer: pássaros infectados, não venham para o Brasil porque estamos em processo eleitoral! ¿ disse.
Porém, questionado sobre por que uma rotina precisou de divulgação de um ministro de Estado, no Palácio do Planalto, reconheceu:
¿ Não sei, realmente não precisa. Tem que perguntar para o Paulo Bernardo (ministro do Planejamento).
Ministro comemorou números da indústria
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou ontem o resultado da produção industrial, que registrou crescimento de 3,2% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do IBGE. Em relação a julho, o crescimento foi de 0,7%. Segundo Mantega, o resultado indica que o terceiro trimestre do ano será melhor que o segundo, com elevação de 2% no período, o que puxará o PIB.
¿ Nós teremos um trimestre de crescimento industrial, um trimestre positivo, certamente melhor do que o anterior, que foi fraco do ponto de vista da produção industrial. Se estava mal, agora está bem. A produção industrial está aquecida e deve continuar neste ritmo até o final deste terceiro trimestre e também no quarto trimestre ¿ disse.
Mantega destacou que o aumento da produção industrial reflete o processo de redução dos juros no país.