Título: AÉCIO REÚNE 300 PREFEITOS PARA APOIAR ALCKMIN
Autor: Gerson Camarotti
Fonte: O Globo, 10/10/2006, O País, p. 11

Lula usa tropa para neutralizar ação do governador em Minas

BRASÍLIA. Na sua primeira investida deste segundo turno para tentar melhorar o desempenho de Geraldo Alckmin no estado, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, planeja mostrar hoje sua força política reunindo em torno do candidato cerca de 300 prefeitos, além dos parlamentares que ajudou a eleger no dia 1º de outubro, numa coligação de dez partidos. Entre eles, o senador Eliseu Rezende, do PFL, eleito com 61% dos votos válidos. Também está confirmada a presença do ex-presidente Itamar Franco.

Governador ironiza atuação de ministros na campanha

A expectativa do comando da campanha de Alckmin é de que o governador mineiro consiga reverter o resultado do primeiro turno, onde Lula obteve 50% dos votos válidos, e o candidato do PSDB, 40%. Na tentativa de neutralizar o apoio estratégico do governador mineiro a seu adversário, o presidente Lula já mobilizou uma verdadeira tropa de choque: o vice-presidente José Alencar, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e quatro ministros mineiros, sendo que o do Turismo, Walfrido Mares Ghia, tirou licença para se dedicar em período integral à campanha.

¿ O único risco que o anúncio do engajamento de tantos ministros na campanha pode causar é o do Brasil perceber que eles não fazem falta nenhuma na administração pública ¿ ironiza o governador de Minas.

Aécio confirma sua disposição de acompanhar Alckmin não só em Minas, como em outros estados em que o PSDB está disputando o segundo turno, como Rio Grande do Sul, Paraíba e Pará.

¿ Existe hoje um clima positivo para Alckmin em Minas. O resultado do primeiro turno já foi extraordinário. O presidente Lula sempre teve um desempenho muito bom no estado, mas temos espaço para crescer.

O governador mineiro, no entanto, ressalta que, no segundo turno de uma eleição, os debates na TV e o horário eleitoral gratuito representam 70% da campanha, e a mobilização dos aliados, os 30% restantes.

¿ Vou pedir para que cada um dos nossos aliados centre a campanha de Alckmin em sua base eleitoral, o que deverá cobrir as principais regiões de Minas. Mas quem vai ganhar a eleição não sou eu, o (José) Serra ou o Cássio (Cunha Lima), mas o candidato ¿ adverte.

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, não esconde sua preocupação, especialmente porque a diferença entre Alckmin e Lula foi menor do que a prevista pelas pesquisas. Na sua avaliação, isso teria sido um reflexo do escândalo da compra do dossiê que atropelou a campanha de Lula:

¿ Não se pode subestimar a popularidade do governador Aécio, mas também não dá para superestimar.