Título: DOIS MINISTROS TIRAM FÉRIAS PARA FAZER CAMPANHA
Autor: Gerson Camarotti
Fonte: O Globo, 10/10/2006, O País, p. 11

Mares Guia, do Turismo, vai trabalhar pela reeleição de Lula em Minas e Luiz Marinho, do Trabalho, no ABC

BRASÍLIA. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, entrou de férias ontem para fazer campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele ficará afastado de suas funções até o próximo dia 18. Marinho não é o primeiro. Também está de férias desde ontem, com o mesmo objetivo, o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, que começou a fazer campanha pela reeleição do presidente Lula em Minas Gerais. Já o ministro do Trabalho avisou que fará campanha no ABC paulista.

A assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho informou que não poderia incomodar Marinho porque havia um trato de não procurá-lo enquanto ele estiver de férias. O Ministério do Trabalho não informou como seria a atuação de Marinho na campanha.

Na semana passada, a Comissão de Ética Pública da Presidência divulgou uma nota que impõe restrições à atividade de ministros em campanha, mesmo estando de férias. Os integrantes do primeiro escalão não podem, por exemplo, assumir função administrativa na campanha.

Ministros não podem ter atividade administrativa

A nota do Comissão de Ética ressalta que a autoridade pública tem o direito, como cidadão, de participar de eventos político-eleitorais, mas desde que não implique na ¿utilização dos recursos e condições que lhes são postas à disposição¿ ou prejudique suas funções. O texto divulgado pela comissão estabelece ainda que um ministro, mesmo saindo de férias ou se licenciando, ¿não pode exercer, formal ou informalmente, atividade de administração de campanha¿.

De acordo com as regras estabelecidas pelo órgão que cuida da postura ética dos integrantes do Executivo, a ¿licença temporária ou férias não são suficientes para permitir o exercício de atividade de administração de campanha¿.

O coordenador nacional da campanha à reeleição de Lula, Marco Aurélio Garcia, por exemplo, teve que ser exonerado do cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência para assumir essa função. A norma explica essa situação de Marco Aurélio, que inicialmente tinha pensado em pedir férias apenas.

Na semana passada, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou que a ajuda dos ministros na campanha de Lula à reeleição torne a disputa desigual:

¿ Em todos os governos anteriores os ministros trabalharam, porque só na nossa vez não pode? ¿ disse Dilma, sem lembrar que, no passado, o PT denunciava o uso da máquina na reeleição.