Título: GRUPOS GAYS VOLTAM ATRÁS E DÃO APOIO À CANDIDATURA DE CABRAL
Autor: Fellipe Awi
Fonte: O Globo, 11/10/2006, O País, p. 13
Depois de retirar projeto, candidato faz uma série de promessas
Depois da polêmica atitude de retirar do Senado o projeto que legalizava a união civil de homossexuais, o candidato a governador Sérgio Cabral (PMDB) recebeu ontem o apoio de movimentos de GLTB (gays lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais). Integrantes da comunidade, que protestaram contra a ação do candidato no Congresso, foram ao comitê da campanha de Cabral, que lá assinou documento com dez compromissos para o segmento. Entre eles, a concessão de pensões a companheiros do mesmo sexo de servidores públicos estaduais, que já é previsto em lei mas não é cumprido.
O ato público apagou um incêndio iniciado semana passada, com o acordo que garantiu o apoio do candidato derrotado Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal, à sua campanha. Em troca da aliança com o senador evangélico, Cabral tirou de tramitação o projeto de emenda à Constituição de sua autoria.
- O movimento tem um posicionamento contrário ao projeto; o que a gente reivindica é a questão da união civil entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, nós ponderamos com Cabral que esse evento (a retirada da PEC) ocorrer num segundo turno poderia parecer uma moeda de troca, um aceno ao fundamentalismo religioso - disse o coordenador de articulação política do grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento.
Cabral justificou a retirada dizendo que o projeto não era adequado por incluir um capítulo denominado casamento. E que, por isso, atendeu a uma "ponderação" do senador Crivella.
- O senador Crivella sabe sobre o meu posicionamento - disse Cabral, que se reuniu antes com a bancada do PT.
Enquanto Cabral conversava com representantes de GLTB, o deputado estadual Edino Fonseca (Prona), pastor evangélico, esperava para ser atendido pelo candidato. Ele, que apóia Cabral, é autor da proposta chamada de "lei para curar gays".