Título: OAB QUER PUNIR OS ADVOGADOS OPORTUNISTAS
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 11/10/2006, O País, p. 19

Supostos 'especialistas' assediam parentes de famílias até nos hotéis

BRASÍLIA. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, recomendou ontem que as sedes estaduais da entidade investiguem e punam os advogados que estão assediando parentes de vítimas do vôo 1907. De olho em parte das indenizações que serão pagas pela Gol, advogados chegaram a se hospedar nos três hotéis de Brasília em que a companhia aérea instalou os familiares para que acompanhem de perto as investigações e o trabalho de identificação dos corpos.

- Isso nos incomodou muito. Não é uma postura de respeito ao nosso espaço - diz Jorge Cavalcanti, tio de uma das vítimas.

Currículos são passados por baixo das portas

Os advogados vieram de outros estados e até do exterior, sempre com o mesmo discurso: são especialistas em desastres aéreos e sabem exatamente como obter as indenizações. Alguns chegaram a passar currículos por baixo das portas dos quartos onde estão hospedados os familiares. Outros abordaram amigos e parentes em velórios e enterros, distribuindo cartões de visita. Nos últimos dias, Ênio Santanna, irmão de um passageiro do Boeing, recebeu vários deles:

- Tem advogado de toda parte do mundo: marroquinos, americanos, argentinos.

Segundo Busato, a prática infringe o código de ética da OAB e configura o ato de captação ilegal de clientela. Busato pediu que as seccionais da OAB abram processos disciplinares imediatos contra os advogados identificados. A recomendação foi aprovada ontem por unanimidade pelo Conselho Federal da OAB, reunido em sessão plenária.

Falso parente de vítima se hospeda de graça em hotel

As equipes que prestam assistência aos familiares descobriram ainda que um homem que veio de Recife se fez passar por parente de uma vítima para se hospedar num dos hotéis. Ele chegou a chorar na recepção e foi atendido por psicólogos contratados pela Gol. Os funcionários do hotel passaram a desconfiar dos gastos excessivos do hóspede. A farsa foi descoberta porque ele pediu diversas refeições e não largou o telefone, atingindo um consumo de R$600. O intruso foi convidado a se retirar do hotel.

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