Título: CORÉIA: SANÇÃO É COMO DECLARAÇÃO DE GUERRA
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Fonte: O Globo, 12/10/2006, O Mundo, p. 37

Pyongyang ameaça realizar novos testes, enquanto Bush diz que se reservará todas as opções para defender aliados

WASHINGTON. Numa escalada da tensão provocada pelo anúncio de um teste nuclear de Pyongyang na segunda-feira, o governo da Coréia do Norte afirmou ontem que vai considerar qualquer sanção ¿uma declaração de guerra¿. O presidente George W. Bush, por sua vez, garantiu que os Estados Unidos se ¿reservam todas as opções¿ para defender seus aliados e que vão aumentar a cooperação militar com países da região.

Os EUA apresentarão formalmente hoje uma nova proposta de resolução contra a Coréia do Norte, diante do Conselho de Segurança da ONU, com a esperança de que seja aprovado nas 24 horas seguintes.

¿ Se os EUA aumentarem a pressão sobre a Coréia do Norte, consideraremos isso uma declaração de guerra e adotaremos medidas físicas ¿ advertiu o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Coréia, dizendo que o país está aberto tanto ao diálogo quanto ao confronto.

Sob fortes críticas da oposição, Bush defendeu ontem sua política em relação à Coréia do Norte. Numa mensagem dúbia, descartou um ataque ao país, embora garantisse que ¿todas as opções¿ estavam sobre a mesa. Bush afirmou que Washington vai aumentar a cooperação com aliados para a defesa antimísseis balísticos.

¿ Não atacaremos a Coréia do Norte ¿ disse Bush, acrescentando, porém: ¿ Os EUA se reservam todas as opções para defender seus amigos.

Annan pede diálogo entre Pyongyang e Washington

Bush descartou negociações bilaterais e exortou Pyongyang a retornar às conversas com os seis países (duas Coréias, EUA, Rússia, Japão e China). Apesar da resistência americana, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu aos EUA que iniciem contatos com Pyongyang.

¿ Deveríamos conversar com aqueles cujo comportamento queremos modificar. ¿ disse Annan.

EUA e Japão pressionam por uma resolução forte no Conselho de Segurança, que imponha embargo econômico e o uso da força, se necessário. China defende medidas mais modestas e quer evitar algo que abra caminho para ações militares.

¿ Há ainda áreas de discordância, mas já dissemos em repetidas ocasiões que isto requer uma resposta rápida e forte ¿ disse o embaixador americano na ONU, John Bolton, ao anunciar que o rascunho será apresentado hoje.

Um dos pontos polêmicos é a inspeção internacional de cargas entrando e saindo da Coréia do Norte, que segundo diplomatas havia sido rejeitado pela China. Não está claro se este ponto faz parte do rascunho.

Seul quer armas modernas para lidar com ameaças

Em Pyongyang, Kim Yong-nam ¿ segundo homem após o líder Kim Jong-il ¿ ameaçou realizar mais testes. Na terça-feira, o Japão chegara a anunciar um tremor como sendo provocado por explosão, o que mais tarde se revelou ser um terremoto.

¿ A questão de futuros testes nucleares está ligada à política americana para o país ¿ disse Kim Yong-nam.

Em Seul, o Estado-Maior Conjunto pediu armas mais modernas, capazes de interceptar bombas nucleares lançadas contra a Coréia do Sul. Mas ainda existem dúvidas sobre o teste. O Pentágono enviou aviões com sensores ao longo da costa norte-coreana para investigar radiação. Nada foi detectado.

¿ Dada a fraca potência é difícil dizer se foram explosivos tradicionais ou nucleares. Se foi uma explosão nuclear, fracassou ¿ disse a ministra da Defesa da França, Michele Alliot-Marie.

A União Européia, um dos maiores doadores em ajuda a Pyongyang, defendeu as sanções, mas ressalvou que não podem prejudicar a população.