Título: Polêmico e hiperativo
Autor: Mariana Timoteo da Costa
Fonte: O Globo, 15/10/2006, O Mundo, p. 43

QUITO. Nos três meses em que ocupou o cargo de ministro da Economia do governo de Alfredo Palácio, ano passado, Rafael Correa era conhecido como ¿ministro pica-pau¿, em referência ao desenho animado, devido às suas constantes mudanças de humor e hiperatividade.

¿ Ele nos dava ótimas manchetes, com frases de efeito, como: ¿O FMI precisa tomar Valium (calmante)¿ ¿ lembra Maria Escobar, jornalista de uma revista de Quito.

Moreno, alto, de olhos verdes, faz sucesso entre as equatorianas este economista de 43 anos, educado na Europa e nos EUA que, mesmo sem nenhuma experiência política, em meses tornou-se o favorito para ganhar as eleições. Correa diz querer ¿mudar radicalmente o Equador¿, seu sistema político e suas instituições. Sua Aliança País, de esquerda, não apresentou candidatos a deputado porque uma das propostas de Correa é, se eleito presidente, dissolver o Congresso e convocar uma Constituinte, com representações populares, para criar novas leis para o país. É quase um consenso que o atual sistema partidário necessita de mudanças mas, para muitos, suas propostas e sua tendência ao autoritarismo não seriam benéficas.

¿ Ele desperta paixões e ódios. Não será fácil mudar toda a estrutura política. Ele vai arrastar multidões às ruas para pressionar os deputados a abrirem mão de seus cargos, e os que não gostam de suas idéias vão protestar de volta. A previsão é de instabilidade pela frente ¿ crê o cientista político Felipe Burbano, da Flacso.

Na política externa, Correa quer rever contratos de empresas de petróleo, não pagar dívidas com o FMI, rejeitar acordos comerciais com os EUA, rever a dolarização e integrar o país à ¿corrente de esquerda que se arrasta pela América Latina¿, liderada, segundo ele, pelo venezuelano Hugo Chávez. (M.T.C.)