Título: Com dez minutos de TV por dia, reciclagem de imagem é a ordem!
Autor: Maia Menezes e Chico Otavio
Fonte: O Globo, 16/10/2006, O País, p. 8
Foi bonito ver que os candidatos à Presidência ao menos se lembraram de homenagear os professores pelo dia de ontem, já que se esquecem rapidinho dos mestres quando se elegem e nunca cumprem as promessas de melhorar os salários e as condições de trabalho.
E parece que Lula e Alckmin combinaram: o tucano homenageou os professores e falou de suas propostas para a educação no programa da tarde, enquanto Lula fez seus afagos à noite. Alckmin citou Cristovam Buarque, de olho no eleitorado do ex-reitor e ex-ministro de Lula, e lembrou que ele foi demitido pelo presidente pelo telefone.
Mas o que chama mesmo a atenção dos telespectadores contumazes do horário eleitoral é a reciclagem de imagens e idéias. Pois é, caro eleitor, pensa que é mole encher dez minutos da telinha todo santo dia? No primeiro turno era dia sim, dia não. Aí vale uma mistura da máxima do Velho Guerreiro com a Lei de Lavoisier: nada se cria, tudo se recicla e se copia! Tem uma fábrica de tecidos em Minas Gerais que já foi usada de todas as maneiras possíveis no programa do tucano, que ontem reciclou também o sorteio de casas populares realizado por ele, quando era governador de São Paulo. Com direito a mulheres de todas as idades chorando, recursos cada vez mais utilizado...
No jingle do tucano, destaque para verbo unir, martelado de várias formas depois que Lula acusou o PSDB de estar fazendo uma ¿campanha de ódio¿ que estaria dividindo o país.
Já o programa de Lula foi, como de hábito, hiperbólico. Tudo é ¿o maior do mundo¿, tudo é recorde. O presidente disse que seu sonho ¿é transformar o Brasil no país mais democrático do mundo no acesso à universidade¿. E, também como de hábito, o petista exibiu quadros comparativos entre seu governo e o de Fernando Henrique Cardoso. Só que agora os dados relativos aos governos de Fernando Henrique aparecem do lado direito da tela e os do PT, do lado esquerdo!
¿Em nível estadual¿, Sérgio Cabral fez questão de mostrar toda a sua família no programa da tarde sob o pretexto de que, tendo filhos aos quais prestar contas (ele tem cinco), um governante torna-se mais equilibrado.
O recurso do programa do peemedebista pecou pelo excesso de preconceito e pela falta de criatividade: só porque sua adversária, Denise Frossard, é solteira e sem filhos, não estaria habilitada a governar? Nem precisa lançar mão de argumentos feministas, basta usar um contra-exemplo: seguindo esse brilhante raciocínio, Garotinho e Rosinha, com seus nove filhos, seriam os maiores estadistas que ¿esse país¿ já conheceu...