Título: LOTEAMENTO DE CARGOS VIRA TEMA DE DEBATE
Autor: Maia Menezes e Chico Otavio
Fonte: O Globo, 16/10/2006, O País, p. 8
Frossard acusa Cabral de negociar postos em troca de apoio; peemedebista explora `fragilidade técnica¿ da adversária
Na arena do primeiro debate no segundo turno das eleições do Rio, na TV Bandeirantes, a candidata do PPS, Denise Frossard, partiu para o confronto, logo no primeiro round: citando nota da coluna da jornalista Berenice Seara, no jornal ¿Extra¿, Frossard provocou o adversário Sérgio Cabral (PMDB) sobre o suposto loteamento de cargos entre os novos aliados do candidato. Ao ler trechos da nota, publicada sábado, questionou:
¿ Senador, o que é isto? Esse toma-lá-dá-cá? Que negócio é esse?
Cabral reagiu, afirmando que os apoios dos candidatos derrotados no primeiro turno, Marcelo Crivella (PRB), Vladimir Palmeira (PT) e Eduardo Paes (PSDB), não foram condicionados a promessa de cargo:
¿ Eles estão dando apoio a minha candidatura pela minha trajetória, pelo meu programa de governo. Pela aliança e o diálogo. O Rio não agüenta mais o isolamento. Nunca fiz política com base no toma-lá-dá-cá ¿ reagiu Cabral.
Ele disse ainda que teria ligado para a jornalista pedindo que desmentisse a nota. E que Berenice teria dito recear que a notícia fosse usada no debate. Berenice informou ao GLOBO que hoje será publicada nota com a versão do candidato, e não uma retratação. A nota trata do pedido feito pelos dez partidos que compõem a base de Cabral.
Frossard insistiu na acusação, e disse que o PMDB não quer abrir mão da Cedae, do Detran e das principais inspetorias de Fazenda. Segundo ela, Cabral teria entrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com pedido de que a informação do ¿Extra¿ não fosse usada no debate:
¿ As inspetorias são aquelas do propinoduto e do Silveirinha. O despacho do juiz (do TRE) disse que foi censura prévia. Indeferiu o pedido. Isso é uma confissão. Não é demais para alguém que se diz jornalista a censura prévia? ¿ provocou.
Cabral reagiu:
¿ A deputada fica acusando, acusando, isolada sem apresentar propostas. Eu não vou governar isolado, não. Vou fazer governo cujo critério vai ser o prestígio ao servidor.
Frossard: alvo de ¿pegadinha¿
Cabral apostou na fragilidade técnica da candidata, que leu a maior parte das perguntas e respostas. Insistiu com perguntas.
¿ O senador Cabral gosta da ¿pegadinha¿.
Ao responder à primeira pergunta da produção do programa, sobre segurança pública, Frossard estreou o ataque:
¿ O importante é definir o campo de cada candidato. Ali está Cabral, que representa o modo de governar do Garotinho. Eu represento a ruptura com esse modelo. As polícias estão absolutamente depauperadas. Recuperar as polícias.
No segundo bloco, quando os candidatos fizeram perguntas entre si, Cabral procurou explorar temas técnicos, e Frossard insistiu em vincular o adversário ao ex-governador Anthony Garotinho. Na primeira rodada de perguntas, Cabral quis saber o que a adversária tinha a dizer a Lei de Participação Especial e o seu impacto da arrecadação de ICMs nos campos de produção de petróleo de Campos.
¿ Vamos lutar. O senhor, que está no Senado, poderia ter lutado para trazer de volta este desconto. O senhor faltou a 2% das sessões. Crivella, a mais de 70% das sessões. Não há ninguém de nos ajude. Todos os PIBs dos municípios fluminenses são negativos por causa da violência, da criminalidade ¿ respondeu Frossard.