Título: CORÉIA DO NORTE PODE FAZER NOVO TESTE NUCLEAR
Autor: Gilberto Scofield Jr.
Fonte: O Globo, 18/10/2006, O Mundo, p. 45
Pyongyang diz que sanções impostas pelas Nações Unidas são declaração de guerra ao país
PEQUIM. Satélites americanos e informações de agências de espionagem japonesas e sul-coreanas indicaram ontem que a Coréia do Norte poderia estar se preparando para realizar um segundo teste nuclear. A movimentação alertou a comunidade internacional num dia em que Pyongyang disse considerar as sanções impostas pela ONU uma ¿declaração de guerra.¿
Um alto funcionário do governo americano disse ontem, sob a condição do anonimato, que imagens capturadas por satélites espiões detectaram atividades incomuns em duas localidades norte-coreanas, similares às que antecederam o primeiro teste nuclear no dia 9.
O chanceler do Japão, Taro Aso, confirmou ter ¿informações¿ sobre a possibilidade de outra explosão. O governo sul-coreano disse que um novo teste era possível, mas era ¿improvável que seja iminente¿.
¿ Não seria algo positivo para eles, mas também não é improvável que eles façam um novo teste ¿ disse o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow.
Um segundo teste é considerado provável por especialistas, tanto para desafiar os EUA como para propósitos científicos: o primeiro teste, de menos de um quiloton, provavelmente foi uma explosão que falhou.
Ontem, o governo da Coréia do Norte reagiu oficialmente pela primeira vez às sanções impostas pela ONU, dizendo que o país ¿quer paz, mas não tem medo da guerra¿.
¿A resolução só pode ser interpretada como uma declaração de guerra. Se qualquer um usar a resolução da ONU para infringir a soberania do país, a Coréia do Norte terá que reagir impiedosamente através de ações fortes¿, disse o governo, sem especificar o que seria infringir a soberania do país ou que ações fortes poderiam ser tomadas.
Condoleezza Rice chega hoje à região
As declarações belicosas do governo norte-coreano ocorrem na chegada da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, à Ásia para visitas ao Japão, à Coréia do Sul e à China. E logo após um pedido feito pela chancelaria da China para que o governo norte-coreano ¿evite agravar as tensões na região e ajude a resolver a crise através do diálogo e de consultas.¿
Com agências internacionais