Título: SÓ APÓS SEGUNDO TURNO CPI VAI OUVIR PETISTAS
Autor: Jailton de Carvalho e Chico de Gois
Fonte: O Globo, 19/10/2006, O País, p. 11

Medida provocou protestos de parlamentares da oposição e também de integrantes da comissão

BRASÍLIA. Os oito petistas ligados à operação de compra do dossiê só serão ouvidos na CPI dos Sanguessugas depois do segundo turno. A direção da CPI marcou para dia 31 os três primeiros depoimentos. A medida provocou protestos na oposição e entre os integrantes da própria CPI.

- É estranho que na semana que antecede a eleição não tenha reunião. Tivemos reuniões nos dias 4, 10 e 17 (de outubro). Podia não ter quórum para a aprovação de requerimentos, mas 12 parlamentares, o quórum mínimo para abrir as reuniões, sempre teve. Se as pessoas já estão convocadas para depor no dia 31, por que não poderiam vir no dia 24? - reclamou o sub-relator da CPI Júlio Delgado (PSB-MG).

Primeiros ouvidos: Gedimar, Valdebran e Lorenzetti

Os primeiros a serem ouvidos serão o policial aposentado Gedimar Passos, o empresário Valdebran Padilha e o ex-chefe do serviço de inteligência da campanha pela reeleição do presidente Lula Jorge Lorenzetti. Valdebran e Gedimar foram presos no hotel Ibis em São Paulo com os R$1,7 milhão que seriam entregues ao empresário Luis Antônio Vedoin em troca dos papéis. Em sua defesa, Gedimar informou que havia sido contratado e tratava com Lorenzetti.

Os documentos recebidos pela CPI da Polícia Federal de Mato Grosso, entretanto, mostram que, nos dias que antecederam a operação, Gedimar conversou por várias vezes ao telefone com Osvaldo Bargas, ex-assessor do ex-presidente do PT Ricardo Berzoini, e com o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso. Gedimar trocou ligações com Expedito e Bargas. A informação é resultado da perícia feita pela PF nos celulares apreendidos com o ex-policial e com Valdebran quando eles foram presos em São Paulo.

Oposição ainda tem esperança

Delgado reclamou ainda da demora na remessa de documentos que a CPI havia solicitado e a Justiça Federal autorizado. Segundo o deputado, a comissão não recebeu informações sobre a quebra do sigilo telefônico de Hamilton Lacerda, ex-assessor do senador Aloizio Mercadante, apontado pela PF como o responsável pela entrega do dinheiro. Os documentos referentes ao rastreamento dos dólares apreendidos que está sendo feito pela Divisão de Combate aos Crimes Financeiros da PF, segundo Delgado, também não foram remetidos.

Embora os depoimentos já tenham sido marcados, a oposição ainda tem esperança de começar a ouvir os acusados antes das eleições.

- O governo está fugindo destes depoimentos como o diabo da cruz. Nós ainda vamos conversar com calma com o Biscaia - afirmou o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA).

O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (PFL-RJ), disse ser fundamental que os depoimentos ocorram antes da eleição:

- O Biscaia está enfraquecido pela derrota (ele não se reelegeu) e está jogando o seu belo currículo fora. É fundamental que a sociedade tenha conhecimento dos fatos antes da eleição. Não podemos correr o risco de o presidente ter sua reeleição contestada depois.