Título: CONDOLEEZZA FAZ AMEAÇA À CORÉIA DO NORTE
Autor: Gilberto Scofield Jr.
Fonte: O Globo, 20/10/2006, O Mundo, p. 39
EUA e Coréia do Sul advertem que novo teste nuclear levará a conseqüências mais sérias. China tenta diplomacia
PEQUIM. Diante de rumores de que a Coréia do Norte vá realizar um novo teste nuclear, Estados Unidos e Coréia do Sul mandaram um recado claro a Pyongyang ontem. Em Seul, os chefes da diplomacia dos dois países ¿ a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o chanceler Ban Ki-moon ¿ advertiram o governo norte-coreano de que haverá ¿conseqüências mais graves¿ se houver desafio à proibição da ONU de outros testes.
¿ Os Estados Unidos assumem com muita seriedade nossos compromissos em nosso acordo de defesa e vamos atuar ¿ disse Condoleezza, reafirmando a intenção de proteger a Coréia do Sul em caso de conflito.
A secretária de Estado, no entanto, deixou o caminho aberto para o diálogo com os norte-coreanos:
¿ Não queremos um agravamento da crise ¿ disse ela.
No front diplomático, a China enviou à Coreia do Norte o ex-ministro das Relações Exteriores e hoje membro do Conselho de Estado Tang Jiaxuan, com a missão de entregar uma mensagem pessoal do presidente chinês, Hu Jintao, ao líder Kim Jong-il. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Liu Jianchao, afirmou que não podia revelar os detalhes da mensagem presidencial, mas disse que a viagem foi ¿muito significativa¿.
Tang tem um status na hierarquia de poder do Partido Comunista da China acima do próprio ministro das Relações Exteriores. Ele foi acompanhado a Pyongyang do vice-chanceler Dai Bingguo e do diplomata Wu Dawei, os dois representantes chineses nas chamadas conversas a seis (entre as duas Coréias, China, EUA, Japão e Rússia).
¿ Esperamos que os esforços diplomáticos dêem frutos ¿ disse Liu.
Políticos da Coréia do Sul, no entanto, parecem não enxergar logo um fim para o conflito, mas sim a continuação dos testes nucleares norte-coreanos. Chung Hyung-keun, membro da Comissão de Inteligência do Parlamento sul-coreano e vice-chefe da Agência Nacional de Planejamento de Segurança, afirmou que o processo de desenvolvimento de armamento nuclear por Pyongyang vai exigir mais três ou quatro testes.