Título: PF: LORENZETTI CHEFIOU OPERAÇÃO
Autor:
Fonte: O Globo, 21/10/2006, O País, p. 3

Amigo de Lula e ex-assessor da campanha comandou operação de compra do dossiê

Orelatório preliminar da Polícia Federal sobre a investigação da origem do dinheiro que seria usado para comprar o dossiê contra os tucanos aponta o petista Jorge Lorenzetti, ex-chefe do serviço de inteligência da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o chefe da operação. No relatório enviado ontem à Justiça Federal em Cuiabá, divulgado pelo ¿Jornal Nacional¿, da TV Globo, o delegado Diógenes Curado, responsável pelas investigações, conclui: ¿Jorge Lorenzetti, pelo que se sabe até o momento, foi a pessoa que articulou no âmbito nacional a compra do dossiê¿.

Lorenzetti, amigo e churrasqueiro de Lula. teria coordenado a participação do ex-policial Gedimar Passos e do empresário petista Valdebran Padilha, presos com o R$1,7 milhão que seria pago pelo dossiê . Teria também orientado Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, e Osvaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho, sobre como atuar no esquema.

¿(Lorenzetti) Pediu que Gedimar Passos fizesse o contato inicial com Valdebran Padilha, dando funções específicas a Expedito Veloso e Osvaldo Bargas. Pediu que Gedimar fosse para São Paulo para receber o dossiê e entregar a Hamilton Lacerda. Tudo sob seu comando e, estranhamente, não sabia da origem do dinheiro¿, diz o delegado.

O relatório da PF não acusa Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente, de envolvimento no caso. Faz apenas referências aos depoimentos de Freud e ao fato de o ex-assessor ter negado envolvimento com o dossiê.

Segundo o delegado, Hamilton Lacerda ¿ identificado como o responsável por levar o dinheiro ao hotel ¿ era homem de confiança da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo de São Paulo. ¿O dossiê, com certeza, visava a alterar o rumo das pesquisas do eleitorado paulista, fazendo uma relação do candidato José Serra com a máfia das sanguessugas. Está cada vez mais difícil acreditar na sua (de Lacerda) versão de que teria ido ao hotel Ibis Congonhas para levar uma bolsa cheia de boletos de contribuição da campanha presidencial¿, afirma o relatório.

O delegado diz acreditar que o dinheiro não tenha origem lícita: ¿Se o numerário teria vindo de fonte lícita, por uma lógica simples, o dono já teria vindo reclamá-lo¿, especula. Mas a PF acredita que as notas não vieram de uma única origem.

O relatório informa que a investigação sobre a origem dos dólares está na fase final. Segundo a PF, com a ajuda do governo americano, descobriu-se que as notas entraram no Brasil por intermédio do Banco Sofisa. O banco repassou-as às casas de câmbio, que as revenderam a particulares. Em todo esse caminho, diz o relatório, ¿não existiu mais controle das notas e, pior, começaram a surgir fraudes para esconder a real operação de compra de dólares, revelando já conhecidos laranjas¿.

A PF informa, entretanto, que será mais difícil identificar a origem dos reais, pois parte do dinheiro não seguiu o caminho do sistema financeiro formal. No relatório, há a informação de que parte do dinheiro teria vindo mesmo do jogo bicho. ¿Temos fortes indícios (...) de que parcela do numerário veio do jogo do bicho carioca. A numeração constante nos dois tickets de somas encontrados com o dinheiro seriam pontos do jogo de bicho em Duque de Caxias e Campo Grande, no Rio de Janeiro¿, escreveu o delegado.