Título: EMPRESÁRIO SERÁ OUVIDO EM CUIABÁ
Autor: Chico de Gois
Fonte: O Globo, 23/10/2006, O País, p. 3
Depoimentos de Ronildo Medeiros e de Vedoin complicam situação de Abel Pereira
CUIABÁ. O empresário Abel Pereira, ligado ao ex-ministro da Saúde Barjas Negri (PSDB), é esperado para depor hoje na Polícia Federal, em Cuiabá. Ele deverá ser questionado sobre sua suposta atuação para liberação de recursos do ministério em favor da Planam, empresa que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras e pagava propina a parlamentares que faziam emendas ao Orçamento da União.
Na semana passada, dois depoimentos complicaram a situação do empreiteiro. Ronildo Medeiros, que criou algumas empresas para dar cobertura à Planam nas licitações dirigidas, disse ao juiz da 2ª Vara Federal, Jefferson Schneider, que Abel recebia 6,5% de propina para cada liberação de verbas do Ministério da Saúde que conseguia. O dinheiro, segundo Medeiros, era depositado em empresas indicadas por Abel.
Na sexta-feira, Darci Vedoin, dono da Planam, voltou a acusar o amigo do ex-ministro tucano de receber propina de sua empresa. O filho de Darci, Luiz Antonio Vedoin, também já havia implicado Abel na rede dos sanguessugas. Luiz Antonio entregou à Justiça, no dia 14 de setembro, comprovantes de depósitos e cópias de nove cheques, totalizando R$421,2 mil, que correspondiam à propina paga a Abel. Três deles (de R$30 mil cada um) foram emitidos em janeiro de 2003; outros quatro (R$199 mil) em fevereiro; e mais dois, no valor de R$132,23 mil, em dezembro de 2003. Luiz Antonio disse que Abel conseguiu a liberação de R$3 milhões no Ministério da Saúde, no fim de 2002, devido à sua ligação com Barjas.
O empresário nega que tenha se beneficiado do esquema. Seu advogado, Eduardo Silveira Mello Rodrigues, declarou que Abel fez uma análise dos seus extratos bancários, dos de sua mulher e das empresas e não teria encontrado qualquer depósito suspeito.
Abel Pereira também teria tentado comprar o dossiê pelo qual os petistas estavam dispostos a pagar R$1,7 milhão. Ele fez contatos com os Vedoin, que depois resolveram fazer negócios com os petistas. Abel, no entanto, será ouvido em inquérito que apura sua suposta participação no esquema dos sanguessugas, e não no caso do dossiê. (Chico de Góis)