Título: EM PAZ, PETISTAS E TUCANOS DIVIDEM COPACABANA
Autor: Bernardo Mello Franco e Cássio Bruno
Fonte: O Globo, 23/10/2006, O País, p. 9
No último domingo de campanha, adversários trocam provocações em clima festivo na orla da zona sul
Sem mordida nem dedo no olho. No último domingo antes do segundo turno, militantes dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Geraldo Alckmin, do PSDB, esqueceram as desavenças e dividiram a orla de Copacabana pacificamente para fazer campanha. Os dois grupos trocaram provocações em clima festivo ¿ bem diferente da briga que levou freqüentadoras do Jobi à 14ª DP (Leblon) no início da semana passada.
Comandados pelo candidato do PMDB ao governo do estado, Sérgio Cabral, e pelos prefeitos petistas de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e Niterói, Godofredo Pinto, cerca de 2.500 militantes tiraram as bandeiras vermelhas do armário, como nos velhos tempos em que a estrela do PT dominava a orla da Zona Sul.
Na altura da Rua Francisco Sá, banhistas vaiaram políticos que acompanhavam Cabral ¿ como os deputados estaduais Carlos Minc (PT) e Paulo Melo (PMDB), que caminhavam abraçados. Os gritos de ¿É sanguessuga¿ não foram suficientes, no entanto, para tirar o sorriso dos novos aliados.
Munidos de adesivos, panfletos e camisetas com a inscrição ¿Lula sim¿, os petistas partiram às 11h do Posto Seis em direção ao Leme. Próximo à Praça do Lido, o grupo cruzou com cerca de 150 pessoas que faziam campanha para Alckmin. Com bandeiras amarelas e camisas pretas com a mensagem ¿Lula não¿, os tucanos ensaiaram um recuo para o canteiro central na Avenida Atlântica.
¿ Estou triste, só tem gente do PT ¿ disse a aposentada Maria Helena de Souza, que carregava um poodle com adesivos de Alckmin.
Ao meio-dia, os tucanos ganharam o reforço de mil militantes que saíram de Ipanema liderados pelo presidente regional do PSDB, Luiz Paulo Corrêa da Rocha. O grupo deu meia-volta e forçou novo encontro com os petistas, que já se dispersavam depois do discurso de Cabral. Preocupados com a ausência da PM, coordenadores das campanhas, fiscais do Tribunal Regional Eleitoral e guardas municipais improvisaram um cordão de isolamento. A paz continuou, apesar das provocações mútuas e dos gritos de ¿Segura a carteira¿ disparados pelos tucanos.
A festa dos militantes irritou banhistas que, alheios à disputa política, tentavam aproveitar o domingo de sol. O advogado Ruy Pimenta ¿ sem parentesco com o candidato do PCO à Presidência ¿ reclamou dos jingles em volume máximo e dos cabos eleitorais que tomavam o calçadão mais famoso do mundo.
¿ A gente traz os filhos para aproveitar a praia e enfrenta esse tumulto. Podiam fazer isso em outro lugar ¿ queixou-se.