Título: GENERAL MOTORS NEGOCIA R$1 BI COM MATRIZ
Autor: Patricia Duarte e Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 23/10/2006, Economia, p. 15

SÃO PAULO. O presidente da General Motors do Brasil, Ray Young, vai negociar com a matriz americana, no início de 2007, um aporte extra de R$1 bilhão para o desenvolvimento de dois novos modelos em 2009 e 2010. Ele reconhece que não será uma conversa fácil.

¿ Tenho a missão de convencer a matriz de que é melhor investir aqui do que em outro lugar do mundo ¿ afirmou ele, acrescentando que China e México são hoje mais competitivos do que o Brasil.

O ponto principal é mostrar que há condições de o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todas as riquezas geradas no país) avançar em torno de 5% ao ano, o que justificaria apostar num crescimento mais acelerado do mercado interno. Segundo Young, fatores como a contínua redução da Selic são importantes, mas sua influência seria limitada na decisão.

¿ O ideal era ter a combinação dos dois: juros menores e crescimento acelerado do PIB. Mas numa política de investimento de mais longo prazo, o crescimento do PIB é o componente mais importante ¿ afirmou ele.

Fatores conjunturais como o câmbio defasado, alta carga tributária e marco regulatório ultrapassado, que reduzem a competitividade do país, podem explicar em parte porque nos três anos do governo Lula os empresários investiram quase 49% menos do que nos três últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso. Foram R$83,5 bilhões, entre 2000 e 2002, contra R$42,7 bilhões em 2003, 2004 e 2005.

O dado é da consultoria Economática, que considerou o investimento líquido (que desconta as despesas com manutenção e reposição de peças e equipamentos) realizado por uma amostra de 231 empresas abertas. Einar Rivero, coordenador da Economática, explica que parte da redução de gastos nos dois períodos também está ligada ao boom de investimentos que se seguiu depois do programa de privatizações e da maior abertura comercial do país. (Aguinaldo Novo)