Título: FROSSARD SUSPENDE CAMPANHA DE RUA
Autor: Cláudia Lamego
Fonte: O Globo, 25/10/2006, O País, p. 16

Deputada troca corpo-a-corpo por reuniões e reclama de decisão do TRE

Na reta final da corrida ao Palácio Guanabara, a candidata do PPS a governadora, Denise Frossard, decidiu trocar a caça aos votos na rua por entrevistas e reuniões internas com coordenadores de campanha. Ontem, a cinco dias da eleição, ela só interrompeu os encontros a portas fechadas para conceder entrevistas ao vivo a uma emissora de rádio e outra de TV. Segundo a assessoria da deputada, a única atividade de hoje será a gravação do programa eleitoral, numa produtora no Humaitá. Amanhã, Frossard passa o dia preparando-se para o debate da TV Globo, à noite.

Deputada diz que título de juíza é "vitalício"

A candidata - que admitiu estar cansada em entrevista publicada domingo passado no GLOBO - negou ontem que a redução do ritmo de campanha seja reflexo das pesquisas que apontam o favoritismo do peemedebista Sérgio Cabral. Segundo o Datafolha e o Ibope, o senador lidera com vantagem de 25 a 30 pontos percentuais.

- A imprensa tem me demandado muito. Não posso estar a todo momento na rua - justificou Frossard.

Principal aliado da deputada, o prefeito Cesar Maia disse aprovar a estratégia de excluir as atividades de rua nos últimos dias de campanha.

- Ela está priorizando entrevistas para rádios, as últimas gravações e a preparação para o debate - afirmou.

Frossard informou que vai recorrer contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral que, a pedido da coligação de Cabral, tirou dez minutos do seu programa de TV e três da propaganda de rádio. A deputada foi punida por usar o título de juíza, vedado em setembro pelo TRE. A Lei Orgânica da Magistratura impede a participação de integrantes do Poder Judiciário em atividades político-partidárias.

- O juiz é vitalício. Ele é juiz até morrer. Eu sou juíza inativa. Ninguém pode tirar esse título, como ninguém pode tirar o título de professor - disse Frossard, que qualificou a decisão de "subjetiva" e "absolutamente equivocada".

À noite, em entrevista a ouvintes da rádio Catedral, a deputada defendeu a enfermeira aposentada Maria Dora dos Santos Arbex, que recebeu a Medalha Pedro Ernesto da Câmara dos Vereadores após atirar num ladrão que tentou assaltá-la no Flamengo.

- Triste o estado que faz uma pessoa próxima dos 70 anos pegar uma arma e sair na rua com medo de ser morta. Chegamos a um tal grau de subversão da ordem que os idosos estão saindo armados. É por isso que eu sou candidata. Eu deveria estar em casa quieta - afirmou.

Candidata é corrigida por padre em entrevista

Frossard passou por uma saia-justa ao ser questionada pelo coordenador da Pastoral Carcerária, padre André Humbrado, sobre o tratamento de mulheres em casas de custódia. Depois de citar uma unidade em Queimados, ela foi corrigida pelo padre, que disse tratar-se de uma delegacia.

Apesar do atrito com o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin - com quem Frossard não faz campanha desde que o tucano se aliou ao casal Garotinho no estado - a deputada repetiu ontem o discurso do aliado a favor da redução da máquina pública.

- Tenho de diminuir despesa com custeio para buscar a confiabilidade - disse, sem explicar onde faria os cortes.