Título: BUSH DIZ NÃO ESTAR SATISFEITO COM GUERRA NO IRAQUE
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Fonte: O Globo, 26/10/2006, O Mundo, p. 33
Presidente abandona triunfalismo e diz que EUA estão perdendo a paciência. Premier iraquiano também critica americanos
WASHINGTON e BAGDÁ. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, convocou uma entrevista coletiva para dizer que não está satisfeito com a evolução dos acontecimentos no Iraque e que a paciência americana está prestes a acabar. Diferentemente das menções anteriores à guerra, Bush usou um tom grave, evitou frases excessivamente otimistas, e enterrou a idéia que defendeu por três anos, não mencionando sequer uma vez a frase ¿vamos manter o rumo no Iraque.¿
Horas antes do encontro com repórteres, no entanto, o presidente foi surpreendido pelo primeiro-ministro do Iraque, Nuri Maliki, que descartou qualquer calendário que venha a ser imposto ¿por estrangeiros.¿
¿ Sei que os americanos não estão satisfeitos com o Iraque. Também não estou ¿ disse Bush, que insinuou uma mudança na ação militar no país. ¿ E é por isso que estamos tomando medidas para ajudar na segurança de Bagdá e estamos constantemente ajustando nossas táticas para enfrentar uma ameaça que muda todo o tempo.
Militares pedem retirada de tropas a Congresso
Em tom enfático, o presidente americano disse que o aumento na violência no país ¿ que só este mês já matou 93 soldados americanos e cerca de 300 militares iraquianos ¿ é ¿uma preocupação muito séria¿. Bush afirmou que os EUA estão próximos de perder a paciência com os acontecimentos no Iraque.
¿ Estamos pressionando os líderes iraquianos para que tomem ações ousadas para salvar o país. Estamos deixando claro que a paciência americana não é ilimitada ¿ disse o presidente.
No entanto, disse que ¿tem fé¿ no secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, que é responsabilizado por muitos pelos erros estratégicos no Iraque.
Mais de 200 militares americanos em atividade assinaram até ontem uma petição na qual pedem ao Congresso que peça a volta das tropas do Iraque. A campanha aproveita uma lei que permite que militares se manifestem livremente quando se dirigem a congressistas.
No Iraque, o premier Maliki fez um duro discurso contra declarações de funcionários americanos e chegou a cobrar explicações sobre uma operação militar contra xiitas em Bagdá.
¿ Quero frisar que este é um governo que representa a vontade do povo e ninguém tem o direito de marcar um calendário para ele ¿ disse Maliki ontem, em declarações transmitidas para todo o país pela TV. ¿ Este é um governo eleito e apenas as pessoas que o elegeram têm o direito de impor limites de tempo ou emendas.
No dia anterior, o general Casey e o embaixador dos EUA em Bagdá, Zalmay Khalilzad, disseram que o governo iraquiano tinha se comprometido a adotar um calendário para realizar reformas políticas.
Maliki também demonstrou indignação com um ataque de forças americanas a Abu Dera, líder de uma milícia xiita, em Bagdá. Ela é acusada de agir como um esquadrão da morte contra sunitas. Quatro pessoas morreram no ataque.
¿ Pediremos esclarecimentos às forças multinacionais. Isso não voltará a ocorrer. O governo iraquiano deveria saber (deste ataque) e deve ter um papel nestas operações militares.
Maliki, que é um árabe xiita, também negou que milícias xiitas estejam realizando ataques arbitrários a sunitas, insinuando que estão apenas reagindo a atentados:
¿ Saddamistas e grupos terroristas são os responsáveis sobre o que está acontecendo. Devemos conter as reações.