Título: No 2º turno, 'decidimos fazer uma campanha de esquerda', diz Garcia
Autor: Lydia Medeiros e Henrique Gomes Batista
Fonte: O Globo, 27/10/2006, O País, p. 4
Coordenador de Lula diz que não ganhar no 1º turno foi 'derrota parcial'
RIO e BRASÍLIA. O coordenador da campanha pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, admitiu ontem que o segundo turno da eleição foi uma "derrota parcial" e revelou que isso motivou uma guinada à esquerda no discurso da campanha petista. No segundo turno, a tônica da campanha foi a crítica às privatizações do governo Fernando Henrique.
- No dia 2 de outubro, quando sofremos a derrota parcial de não ter podido vencer no primeiro turno, houve uma reunião do conselho político e tomamos uma decisão fundamental: decidimos fazer uma campanha que desse máxima nitidez política a nossas propostas, uma campanha de esquerda - disse Garcia, que considerou a mudança um dos fatores mais importantes da eleição.
Em jantar com dirigentes e simpatizantes do PT do Rio destinado a arrecadar fundos para o partido, numa churrascaria, Garcia afirmou ainda que o país celebra o que chamou de "período luminoso da História".
Em Brasília, mais cedo, Marco Aurélio atribuíra parte do eventual fracasso dos tucanos na disputa presidencial ao excesso de discussão sobre a origem do dinheiro que seria usado por petistas para comprar o dossiê. Segundo ele, a tentativa de envolver Lula no escândalo só tirou votos de Geraldo Alckmin:
- Tivemos condições de chamar a atenção do povo para as questões que estavam em jogo. Isso incomodou os adversários, que insistiram na tecla de desqualificar o eleitorado.
E afirmou ser incorreta a visão de oposicionistas de afirmar que o bom desempenho de Lula se deve ao abandono da ética pelos brasileiros.
- É um velho viés da direita brasileira, que sempre considerou ter o monopólio da ética.
Garcia disse não temer surpresa na reta final, mas afirmou estar apreensivo com o aumento de propagandas apócrifas contra Lula.
- Há muitos casos, principalmente no Rio Grande do Sul, em que os carros com o adesivo da Yeda Crusius trazem esse adesivo, uma ofensa não só ao presidente como aos portadores de deficiência - disse, exibindo cartaz que traz uma mão com quatro dedos com o símbolo de trânsito de proibido.
Perguntado sobre o debate de hoje, Garcia afirmou que o presidente está calmo:
- O presidente tem uma equipe muito afinada e preparada. Bem melhor que o time dele, o Corinthians (que na quarta-feira venceu no sufoco o rival Palmeiras) - disse.