Título: TARSO FATURA APOIO DE ADVOGADOS A LULA
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 27/10/2006, O País, p. 8
Ministro diz que manifesto da classe garante 'padrão superior de governabilidade' a segundo mandato
BRASÍLIA. Organizador do evento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu manifesto de apoio de 450 advogados e juristas em favor de sua reeleição, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse ontem que o gesto da classe é importante para garantir um "padrão superior de governabilidade" em um provável segundo mandato petista. Lula recebeu uma comissão de advogados no Palácio da Alvorada, num intervalo entre duas cerimônias oficiais que realizou como presidente no Planalto.
Tarso repetiu o argumento de que um eventual segundo mandato de Lula não será afetado pelo resultado das investigações sobre o dossiê contra tucanos, mesmo que se comprovem irregularidades na campanha. Para ele, não haverá possibilidade de insegurança jurídica.
- Um manifesto dessa natureza tem enorme importância para o presidente e ajuda sim a consolidar a sua reeleição e também já aponta para um padrão superior de governabilidade no próximo período. Isso tem um enorme significado, porque a oposição proporcionou neste período um contencioso jurídico que versava sobre questões de natureza constitucional e o funcionamento das CPIs. Mas não há possibilidade de insegurança jurídica no próximo período, porque as instituições estão funcionando em todos os níveis - disse.
O manifesto, entregue por sete juristas e com 450 assinaturas, como as de Celso Antônio Bandeira de Mello, Américo Lacombe e Alaôr Caffé Alves, surpreendeu pela linguagem política. Os juristas escrevem que "a aliança conservadora PSDB-PFL desconhece o papel fundamental do Estado na promoção do desenvolvimento econômico" e classificam os oito anos do governo Fernando Henrique de "década desperdiçada".
Documento não cita escândalos e critica FH
Segundo o grupo, o governo Lula vem investigando os casos de corrupção, mas não cita as denúncias envolvendo o PT, apenas relembram "o escândalo da compra de votos para a reeleição" de Fernando Henrique.
Tarso argumentou que a maior parte da oposição não vai querer realizar o "terceiro turno" da eleição e considerou bom sinal a declaração do ex-presidente Fernando Henrique de que o PSDB não sabotaria um novo governo de Lula.
- O PSDB não é golpista mesmo, não tem tradição de golpismo. O que há é uma pequena parte da oposição tentando criar instabilidade e apontar para golpismo político. Mas, felizmente, a maioria desses dirigentes ou foram aposentados pelas urnas ou não tiveram coragem de concorrer - disse Tarso, em referência ao presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que não concorreu.