Título: Segundo turno desperta a ira adormecida
Autor: Aydano André Motta, Efrérm Ribeiro, Letícia Lins
Fonte: O Globo, 29/10/2006, O País, p. 17
Lulistas e alckmistas se enfrentam
Nunca houve na história deste país uma disputa de segundo turno tão radicalizada, poderia afirmar quem soube do caso da eleitora mais inflamada que arrancou um pedaço do dedo que uma admiradora do presidente Lula, em pleno Jobi, bar do Leblon. Mas como em tudo que foi escrito e dito sobre as eleições presidenciais de 2006, há controvérsia. O jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acha que esta foi a mais sangrenta desde 1989. Para o escritor Marcelo Moutinho, a rivalidade Collor x Lula foi maior. O consenso é que a polarização Lula e Alckmin provocou o debate que estava adormecido no primeiro turno.
No primeiro turno, quando Moutinho escreveu em seu blog, o Pentimento, que votaria em Cristovam Buarque (PDT), não provocou polêmica. Mas, ao declarar voto em Lula no segundo, ficou surpreso com a reação dos internautas:
¿ Uma pessoa chegou a comentar que não acreditava que eu, com um blog tão bom, pudesse votar no Lula. Tenho críticas ao PT, mas, na comparação com os tucanos, Lula tem um projeto melhor para o país. Enquanto estava na opinião, ¿você é privatista, você defende ladrão¿, não me importava. Mas quando começaram as ofensas, tive que colocar um sistema de aprovação de comentários.
Num artigo recente, Kotscho diz que foi vítima de patrulha por causa do livro em que conta sua experiência como assessor de Lula: ¿Começaram a circular mensagens ensandecidas e canalhas sobre meu livro. Não há mais regras, limites, respeito por nada nem ninguém¿
O escritor e guitarrista do Titãs Tony Belloto também foi vítima da ira de militantes virtuais. Ao divulgar que votaria em Alckmin num site de notícias, foi acusado de ser de direita, de escrever pseudo-romances e de ser membro de uma banda que aliena politicamente os jovens.
Correntes de e-mails também têm apelado para a baixaria. A arquiteta Maria Cristina Malta diz que sua determinação em votar em Lula aumenta a cada mensagem recebida com ofensas a ele:
¿ Respeito outras opiniões, mas não mudo meu voto. Sou anti-Alckmin. Daslu no poder? Prefiro a Daspu.