Título: PT FAZ DA ELEIÇÃO NO PARÁ UMA QUESTÃO DE HONRA
Autor: Gerson Camarotti
Fonte: O Globo, 29/10/2006, O País, p. 33
Presidente se empenhou pessoalmente para arregimentar apoios para Ana Júlia, contra o tucano Almir Gabriel
BELÉM. O PT e o presidente Lula escolheram a eleição no Pará como questão de honra para o partido no segundo turno. A ordem foi investir todas as fichas no estado para eleger a senadora Ana Júlia Carepa (PT) e interromper os 12 anos de comando tucano no Palácio dos Despachos, sede do governo. Lula monitorou a reta final da campanha e, antes, operou pessoalmente para fechar alianças em torno de Ana Júlia, que ganhou força eleitoral a partir do apoio do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA). Barbalho e Ana Júlia eram adversários históricos até recentemente.
A estratégia do PT nacional foi priorizar o Pará para tentar um contraponto com o Rio Grande do Sul, onde a tucana Yeda Crusius aparece em vantagem contra o petista Olívio Dutra. Os dois estados são os únicos que reproduzem no segundo turno a disputa nacional entre PT e PSDB.
Do outro lado da disputa, o ex-governador Almir Gabriel (PSDB) tenta voltar ao comando. Surpreendidos com a ida da eleição para segundo turno, os tucanos também resolveram entrar no vale-tudo eleitoral para tentar governar o Pará pela quarta vez consecutiva. Na campanha do segundo turno, a petista passou à frente do tucano.
O empenho federal pôde ser constatado semana passada, quando, em apenas dois dias, quatro ministros estiveram no estado anunciando obras e ações federais para a região: Luiz Marinho (Trabalho), Fernando Haddad (Educação), Paulo Sérgio Passos (Transportes) e Altemir Gregolin (Pesca). E o PT ainda escalou o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, para o palanque de Ana Júlia.
Em contrapartida, o PSDB entrou na Justiça Eleitoral contra Ana Júlia e a presença de ministros na campanha. O PSDB alega que pelo menos o secretário especial de Pesca, Altemir Gregolin, pediu votos para a candidata petista em solenidade oficial.