Título: OPOSIÇÃO BAIXA TOM DAS CRÍTICAS E SINALIZA COM ABERTURA DE DIÁLOGO
Autor: Adauri Antunes Barbosa
Fonte: O Globo, 30/10/2006, O País, p. 15
Líderes tucanos descartam recurso de impugnação da candidatura
BRASÍLIA. A oposição baixou o tom das críticas e sinalizou com a abertura do diálogo para discutir uma pauta comum no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de defender a continuidade dos processos e investigações em curso contra Lula, integrantes do governo e do PT, líderes tucanos afirmaram que não pretendem recorrer à Justiça para tentar impugnar a vitória de Lula. Até mesmo líderes pefelistas adotaram tom mais ameno.
¿ Não passa pela nossa cabeça contestar o mandato do presidente Lula na Justiça. Queremos a apuração dos fatos ¿ avisou o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, referindo-se à investigação eleitoral aberta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar o envolvimento da campanha de Lula no escândalo da compra do dossiê contra os tucanos.
Sobre a proposta de Lula de discutir uma agenda nacional, Tasso afirmou:
¿ Seremos oposição, como no primeiro mandato. Não há como mudar isso, essa foi a decisão das urnas. Vamos continuar votando o que considerarmos importante para o Brasil. Se for para isso, o presidente nem precisa chamar para conversar.
O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), confirma a disposição para discutir uma pauta legislativa comum:
¿ Quem ganha governa, quem perde vai para a oposição. Vamos fazer oposição coerente, pragmática. Isso não impede que tenhamos uma pauta em comum no Congresso. Estamos dispostos a aprovar medidas importantes para o Brasil.
A Executiva do PFL se reúne amanhã
A Executiva do PFL se reúne amanhã para discutir a atuação no novo governo. Há consenso na estratégia de insistir na apuração do processo contra Lula no TSE, por suposto envolvimento com o dossiê. O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), defende que o partido mantenha oposição firme, mas não raivosa. Para ele, o PFL não pode deixar de conversar sobre o futuro do Brasil:
¿ As coisas não vão bem e a oposição não pode ser obstáculo para as reformas necessárias ao bem do país. O Brasil precisa dar uma guinada no crescimento. Não podemos fechar as portas ao diálogo. O clima mudou, a eleição acabou e Lula foi eleito.
O segundo vice-presidente do PMDB, deputado Eliseu Padilha (RS), de oposição, afirma que o apoio ao novo mandato será debatido, mas que o partido não se furtará ao diálogo:
¿ O compromisso com o Brasil é maior que as discordâncias com o presidente da República. Vamos dialogar, contanto que queira dar às conversas tratamento institucional.
O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que a tendência é o PDT manter-se independente, sem oposição radical.
¿ Não fazemos oposição ao Brasil, vamos apoiar medidas a favor do crescimento econômico, da criação do empregos. Estamos abertos ao diálogo institucional, via partido, sem nenhum tipo de troca. Espero que não repitam o erro do primeiro mandato, de tentar cooptar deputados, fazer o varejo, que deu no que deu ¿ avisou Lupi.
O mais radical foi o presidente do PPS, Roberto Freire (PE).
¿ Agora não tenho esperança alguma e vou continuar lutando para que o crime não compense.
* da CBN, especial para O GLobo