Título: SEREI UM GOVERNADOR MAIS TOLERANTE E FLEXÍVEL¿
Autor: Cássio Bruno
Fonte: O Globo, 30/10/2006, O País, p. 23
Cabral afirma que as alianças e os apoios que conquistou na campanha foram fundamentais para sua vitória
segue para o prédio onde mora, no Leblon, ao encontro do pai Sérgio Cabral, conselheiro do Tribunal de Contas do Município (TCM)
O senador Sérgio Cabral (PMDB) prometeu ontem, mesmo antes do resultado das urnas, ¿ser um governador mais tolerante e flexível o possível¿ quando assumir o cargo, em 1º de janeiro. Desde cedo, o peemedebista já falava em vitória sobre a adversária Denise Frossard (PPS) e até anunciou no início da tarde a festa de comemoração em seu comitê, incluindo chope, churrasco e música, com direito a DJ.
¿ Eu não vou colocar nenhum objetivo pessoal e político a frente dos interesses do estado. Serei um governador mais tolerante, o mais flexível possível. Confundir o calendário eleitoral com administração pública é um problema que vem afetando a democracia no Brasil e comprometendo a qualidade dos serviços públicos ¿ disse ele.
Cabral afirmou ainda que as alianças e os apoios que conquistou ao longo de toda a sua campanha foram fundamentais para consolidar o resultado nas urnas:
¿ Foram várias correntes partidárias, todas progressistas. Isso sempre foi a marca do Rio, um estado da resistência ao regime militar, das Diretas Já, da luta pela anistia. O Rio sempre esteve na vanguarda do processo político brasileiro e, por tanto, esse campo progressista se uniu e me honrou.
Bené acompanhou Cabral com dedos quebrados
O governador eleito chegou para votar, às 9h30m, na Escola Municipal Roma, em Copacabana, com uma hora de atraso em relação ao horário previsto por ele. Cabral estava acompanhado da mulher Adriana, de três dos cinco filhos ¿ Tiago, de 4 anos; José Eduardo, de 11; e Marco Antônio, de 15 ¿, dos pais Sérgio Cabral e Magali e dos irmãos Maurício e Cláudio.
Cabral se dirigiu à urna eletrônica com os filhos. Após a votação, que durou poucos segundos, ele posou para fotos e fez o tradicional ¿V¿ da vitória. Em seguida, deu entrevistas para os jornalistas e se mostrou confiante.
¿ Mas vou esperar o resultado com humildade ¿ lembrou Cabral, que evitou comentar sobre a divulgação de seu secretariado.
Além da família, aliados como o senador eleito Francisco Dornelles e da coordenadora de campanha da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Benedita da Silva, acompanharam Cabral na votação. Benedita, por sinal, apareceu de chinelos e com os dois pés enfaixados.
¿ Menino, levei um aperto embaixo. Seguraram os meus pés. Quebraram três dedos em São João de Meriti na sexta-feira durante uma caminhada. Vocês não viram aquela foto magnífica do Sérgio (assediado por eleitores na Baixada que o GLOBO mostrou no sábado)? Foi um monte de gente em cima de mim ¿ contou a petista, andando amparada pelo pai de Cabral.
Senador começou a ler obra de Paul Auster
O peemedebista foi com a esposa até o Colégio Estadual Dom Henrique, também em Copacabana, onde ela votou. Depois, levou Benedita para a sua zona eleitoral, na Escola Municipal Santo Tomás de Aquino, no Leme. De lá, o senador seguiu para a casa dos pais e, depois, para o seu apartamento, no Leblon.
Cabral passou à tarde com a família descansando e disse que continuaria a leitura de ¿Desvarios no Brooklyn¿, de Paul Auster, obra indicado por um de seus colaboradores do programa de governo. O peemedebista chegou a aparecer de short e camiseta na sacada do prédio.
¿ Comecei a ler ontem (anteontem). Hoje (ontem), o Marco Antônio (filho de Cabral) alugou dois filmes na locadora. Vou tentar dar uma relaxada ¿ disse ele.