Título: NEGOCIAÇÕES NERVOSAS À VISTA
Autor: Eliane Oliveira e Monica Tavares
Fonte: O Globo, 30/10/2006, Economia, p. 37
Pontos importantes continuam sem solução, como o preço do gás
BRASÍLIA. O impasse com a Bolívia para o cumprimento do decreto de nacionalização não pára com a assinatura do contrato de exploração de gás e petróleo. As negociações continuam, com um nível de nervosismo, no mínimo, igual ao dos últimos dias, desta vez envolvendo dois pontos fundamentais: o preço do gás e a indenização à qual a Petrobras tem direito, por causa da transferência de duas refinarias de petróleo para a estatal boliviana YPFB.
A dúvida sobre como ficará o preço do gás exportado para o Brasil é o que mais interessa, pois é a principal fonte de energia das indústrias paulistas. Uma elevação dos custos seria repassada para os consumidores. O prazo para a negociação do preço termina dia 10. O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, diz que pode haver prorrogação se não houver entendimento.
O governo brasileiro já deixou claro que não pretende ceder, mantendo o contrato atual de fornecimento de gás, que prevê reajustes trimestrais com base na cotação de uma cesta de óleos. Os técnicos consideram que o preço pago pelo gás boliviano é o mesmo praticado, a curto prazo, no mercado internacional.
Outro ponto difícil diz respeito às duas refinarias da Petrobras na Bolívia, que, pelo decreto de nacionalização, serão controladas pela YPFB. A Petrobras afirma que a perda terá de ser compensada. O governo boliviano diz que os lucros obtidos pela Petrobras com o refino já cobrem o que foi investido.
¿ O importante é que o diálogo está aberto ¿ disse Rondeau. (Eliane Oliveira e Mônica Tavares)