Título: MANTEGA PROMETE CRESCIMENTO MAIS INTENSO
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 31/10/2006, O País, p. 8

Ministro da Fazenda afirma que segundo governo será desenvolvimentista e com maior geração de empregos

BRASÍLIA. Em meio à polêmica já estabelecida pelos próprios petistas sobre eventual alteração na política econômica, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será mais desenvolvimentista, mas que isso não significa mudança de rumo. Otimista, ele afirmou que o primeiro mandato de Lula foi um período de correção de desequilíbrios herdados do governo anterior, mas que a partir agora é hora de o país crescer de forma mais vigorosa e com geração de empregos.

¿ O segundo mandato vai ser mais desenvolvimentista. É uma continuação da política econômica do primeiro governo, só que dentro de uma nova fase ¿ afirmou o ministro.

`Herança maldita¿ volta ao discurso

Mantega voltou a ressuscitar a tese da ¿herança maldita¿ do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que esteve presente nos primeiros anos do governo Lula e que trouxe ameaça real de inflação acima de dois dígitos, o que forçou o governo a adotar uma política econômica mais austera, com aumento do superávit primário ¿ economia feita pelo governo para o pagamento da dívida federal ¿ e o aumento da taxa Selic, a taxa básica de juros do país.

¿ A primeira fase do governo foi importante porque trouxe um equilíbrio ao país e eliminou problemas e desequilíbrios que tinham sido herdados da gestão anterior. Portanto, entramos em uma nova fase, onde o crescimento será mais intenso, mais vigoroso, com mais geração de empregos. Será a tônica no novo governo ¿ disse.

O ministro afirmou que o governo quer aprovar propostas como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e a reforma tributária. Os dois projetos, contudo, não foram aprovados no primeiro mandato. A Lei Geral pode fazer com que milhões de trabalhadores entrem na formalidade com a unificação de impostos federais e a criação de mecanismos que desburocratizam a vida das empresas que têm faturamento anual de até R$2,4 milhões. Já a reforma tributária pode facilitar a cobrança do principal tributo sobre o consumo no país, o estadual ICMS.

Ministro não fala sobre equipe

Para o ministro da Fazenda, esses projetos ¿ que podem forçar a União a ter uma renúncia fiscal de até R$5,4 bilhões ¿ conseguirão avançar no Congresso Nacional porque a oposição, afirma, vai ser cooperativa:

¿ A campanha terminou e os interesses mudam. A oposição também está preocupada com a melhoria do país e a realização desses projetos.

De manhã, quando deu entrevista, o ministro Mantega não quis falar sobre mudanças na equipe econômica, a despeito das especulações que já circulam no meio político de Brasília de que ele e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, poderiam ser retirados de seus cargos:

¿ Não passam de meras especulações. Não têm fundamento e valor. Não conversei com o presidente sobre esse assunto porque nós estávamos fazendo a campanha e ganhando a eleição. Isso está na cabeça de algumas pessoas, não na nossa.

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