Título: DEPOIS DAS ELEIÇÕES, PFL E PMDB TÊM AS MAIORES BANCADAS DO SENADO
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: O Globo, 31/10/2006, O País, p. 9
Dois pefelistas podem deixar partido, o que daria vantagem a peemedebistas
BRASÍLIA. A eleição para os governos estaduais alterou a composição do Senado e dois partidos vão iniciar a nova legislatura, em 2007, com as maiores bancadas na Casa: PMDB e PFL, com 18 senadores cada. Após o primeiro turno, o PFL tinha um senador a mais ¿ 18, contra 17 do PMDB ¿ mas, com a reeleição de Luiz Henrique (PMDB) em Santa Catarina, o senador tucano Leonel Pavan deixará o Senado para assumir o cargo de vice-governador no estado e deixará no seu lugar o peemedebista Neuton de Conto.
Além disso, o PMDB tem chances de manter sozinho o posto de maior bancada com o troca-troca de partido decorrente do processo eleitoral. As primeiras mudanças devem afetar o PFL, que pode perder dois senadores este ano. Derrotada na eleição para o governo do Maranhão, Roseana Sarney volta para o Senado, mas poderá trocar o PFL pelo PMDB, embora os pefelistas neguem, agora, que isso vá acontecer.
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), defendeu, no auge do segundo turno, sua saída do partido por causa do apoio de Roseana à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pode mudar de posição agora que Roseana perdeu a eleição. Integrante do grupo político da família Sarney, Edison Lobão (PFL-MA) deve deixar o partido se a filha de Sarney o fizer.
Pavan pode não assumir vaga de vice em SC
Mesmo que a oposição venha a perder senadores até fevereiro, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse ontem que o PFL tem o direito de pleitear a presidência da Casa. Tasso chegou mesmo a dizer que Leonel Pavan, depois de eleito vice-governador, poderia desistir de assumir o governo catarinense, garantindo para os pefelistas a maior bancada.
¿ O Pavan está avaliando se assume a vice ou fica no Senado ¿ disse Tasso.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato à reeleição, disse que para presidir a Casa qualquer candidato terá que conseguir harmonizar as bancadas e ter condições de administrar conflitos.
¿ Presidir o Senado não é uma obsessão. É natural que o PMDB, que tem a maior bancada, postule. O partido deve se beneficiar da movimentação partidária que ocorrerá nos próximos meses ¿ afirmou Renan.
Dos oito senadores que disputaram o segundo turno das eleições, cinco foram derrotados. Assim como Roseana Sarney, voltam para o Senado Garibaldi Alves (PMDB-RN) e José Maranhão (PMDB-PB). Maguito Vilela (PMDB-GO) e José Jorge (PFL-PE), vice de Alckmin, terminam seus mandato em janeiro.
O senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que assumirá o governo do Rio, deixará no Senado o suplente Régis Fitchner (PMDB). A senadora Ana Júlia (PT-PA), que assumirá o governo paraense, vai deixar a cadeira para o PSOL e para a oposição; seu suplente é José Nery Azevedo, do PSOL, partido que perderá sua única representante na Casa, Heloísa Helena (AL).
Na nova composição, o Senado continuará uma Casa de acirrada disputa entre governo e oposição. Os governistas contabilizam 41 senadores, contra 40 da oposição.
* Da CBN, especial para o GLOBO