Título: EUA: casos de corrupção não influenciaram
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 31/10/2006, O País, p. 10
Imprensa americana dá espaço a Lula
NOVA YORK. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva teve discreta repercussão na imprensa americana, preocupada com suas próprias eleições, em 7 de novembro. ¿New York Times¿, ¿Washington Post¿ e ¿Wall Street Journal¿ destacaram, todos com pequenas chamadas na primeira página, que os brasileiros não se importaram com as denúncias de corrupção contra e optaram por apoiar suas políticas sociais.
O ¿Wall Street¿ credita a vitória ao carisma de Lula, apesar dos casos de corrupção. O jornal aponta Lula como um ¿esquerdista pragmático que no seu primeiro mandato ganhou o respeito do mercado financeiro¿ e alerta que vai enfrentar ¿um formidável desafio para remediar as desavenças deixadas por uma campanha eleitoral amarga e agressiva que mexeu com diferenças regionais e de classe¿. Para o jornal, as desavenças podem dificultar os planos de Lula de conquistar apoio para as reformas necessárias com vistas ao crescimento econômico.
O ¿Washington Post¿ ressalta que Lula teve o voto de confiança de quase 60% dos eleitores, garantindo uma esmagadora vitória ao ex-sindicalista cujo primeiro mandato foi marcado por uma significativa redução na pobreza e por escândalos de corrupção. Na campanha, diz o jornal, Lula posou de campeão na luta contra a pobreza.
O ¿New York Times¿ também destaca a virada de Lula, que conseguiu se desembaraçar das acusações de corrupção. O jornal faz um rápido balanço do primeiro mandato e dos escândalos, e afirma que Lula adotou uma política econômica conservadora do agrado de Wall Street e do FMI, mas que nas últimas semanas, citando Marco Aurélio Garcia, adotou uma postura mais esquerdista.