Título: PFL SAI COMO O GRANDE DERROTADO NOS ESTADOS
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 31/10/2006, O País, p. 10
Partido só elegeu um governador, manteve a bancada da Câmara e empatou com o PMDB como líder no Senado
BRASÍLIA. Os principais líderes do PFL não aceitam, mas analistas políticos são unânimes em apontar o partido como o maior derrotado das eleições. O golpe de misericórdia foi dado no Maranhão, onde a senadora Roseana Sarney foi derrotada pelo pedetista Jackson Lago, pondo fim a uma hegemonia de 40 anos da família Sarney no estado. Com o resultado, o PFL sai das urnas apenas com o comando do Distrito Federal, onde venceu com José Roberto Arruda. Em 2002, foram quatro vitórias: Bahia, Sergipe, Tocantins e Maranhão.
Quando virar o ano, o PFL deixará de governar mais de 13 milhões de brasileiros. Hoje, os quatro estados administrados pelo partido somam 15,2 milhões de eleitores. No Distrito Federal há 1,6 milhão de eleitores ¿ 1,3% do eleitorado.
Partido admite reconciliação com Roseana Sarney
Os caciques pefelistas reconhecem que o desempenho do partido não foi o esperado, mas rejeitam o título de derrotados. O principal argumento é a eleição de seis senadores, dando ao partido a maior bancada do Senado, ao lado do PMDB, com 18 representantes cada.
¿ Não se pode chamar o PFL de derrotado, não aceito isso. O Senado é uma casa muito importante ¿ disse o líder do partido, Agripino Maia (RN).
Diante do resultado nos estados e da importância que a bancada do Senado ganhou, o PFL admite até aceitar uma reconciliação com a senadora Roseana Sarney, que ficou sem clima para continuar no partido depois de fazer campanha ao lado do presidente Lula no estado. Se mudar de partido, possivelmente para o PMDB, ela ainda levaria consigo o senador Edson Lobão (MA), dando de bandeja o comando da Casa ao PMDB.
¿ Sem dúvida, o PFL foi o maior derrotado e encolheu de 2002 para 2006. Mas, se conseguir manter sua bancada, ficará com um trunfo importante na mão ¿ diz o cientista político Murillo Aragão.
A derrota mais sentida aconteceu na Bahia, reduto tradicional do PFL, capitaneado pelo senador Antônio Carlos Magalhães. Na virada mais surpreendente dessas eleições, o petista Jaques Wagner venceu o governador Paulo Souto, afilhado de ACM. O consolo foi a herança da prefeitura de São Paulo, recebida com a saída do governador eleito do estado, José Serra.
O PFL ainda perdeu a eleição em Pernambuco, onde o governador Mendonça Filho perdeu para Eduardo Campos (PSB); e Sergipe ¿ o petista Marcelo Déda venceu João Alves Filho.
Na Câmara, o PFL praticamente manteve a bancada atual: tem 64 deputados e elegeu 65. Mas não recuperou as perdas em relação a 2002, quando elegeu 84 parlamentares. Nas últimas eleições, assistiu a uma queda brusca na votação de seus candidatos à Câmara: de 17,14% do total de votos em 1998, para 13,38% em 2002 e 10,93% este ano. É o pior desempenho entre os grandes partidos (PFL, PT, PMDB e PSDB).
COLABOROU: Isabel Braga