Título: DE VOLTA À MESA DE NEGOCIAÇÕES
Autor: Gilberto Scofield Jr.
Fonte: O Globo, 01/11/2006, O Mundo, p. 34

Coréia do Norte aceita discutir com potências seu programa nuclear, sem impor restrições

Três semanas após os norte-coreanos realizarem um teste nuclear, o Ministério das Relações Exteriores da China informou ontem que o governo de Pyongyang concordou em voltar, sem exigências, para a chamada ¿negociação a seis¿, que envolve as duas Coréias, os EUA, a Rússia, o Japão e a China. Representantes de EUA, China e Coréia do Norte se reuniram informalmente ontem em Pequim e a conclusão do encontro foi, nas palavras de uma fonte do Ministério das Relações Exteriores chinês, ¿profunda e repleta de boas intenções.¿

¿ As três partes concordaram em retomar a negociação a seis logo, num momento conveniente para todos ¿ disse o diplomata chinês.

As negociações foram feitas pelos delegados Wu Dawei, da China, Kim Kye-gwan, da Coréia do Norte, e Christopher Hill, dos EUA. Segundo Hill, as discussões multilaterais sobre o programa nuclear norte-coreano, estancadas há mais de um ano, serão reiniciadas em novembro, sendo que Pyongyang não impôs qualquer condição para voltar às negociações.

¿ Achamos que será possível começar as negociações no próximo mês ou, no máximo, em dezembro ¿ disse Hill.

Segundo o negociador americano, a Coréia do Norte reiterou seu compromisso, tomado no ano passado, de abandonar seus programas nucleares em troca de concessões.

¿ Eles não impuseram qualquer condição. Só queriam que renovássemos nossa garantia sobre o fato de que abordaríamos o assunto das sanções financeiras no processo de discussão ¿ explicou Hill.

Na última sessão de discussões entre a Coréia do Norte e o grupo de países negociadores, em setembro de 2005, Pyongyang havia aceitado abandonar seus programas nucleares em troca de ajuda internacional e garantias de segurança. Mas o regime norte-coreano voltou atrás em suas promessas dois meses mais tarde. No último dia 9, a Coréia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear, provocando protestos na comunidade internacional.

Em represália, o Conselho de Segurança da ONU adotou sanções contra Pyongyang, entre elas a proibição do comércio de materiais que poderiam ser usados na fabricação de armamentos.

Tóquio recebe mísseis dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou-se ontem muito satisfeito com os progressos obtidos, assim como o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Gordon Johndroe, manifestou a boa receptividade da notícia.

¿ Damos as boas-vindas ao anúncio e estamos ansiosos por retomar as conversações em breve ¿ afirmou Johndroe.

Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Liu Jianchao, afirmou que o comércio entre China e Coréia do Norte continua o mesmo, num claro recado sobre a disposição de Pequim de não estabelecer sanções sobre a movimentação comercial entre os dois países.

Apesar da impressão de que o conflito sobre a desnuclearização da península coreana caminha para uma solução diplomática, o jornal japonês ¿Nihon Keizai¿ afirmou ontem que Washington e Tóquio estão costurando um sistema de defesa de mísseis que usa a geração de antimísseis Patriot.

Segundo o jornal, o uso do sistema Patriot Advanced Capability 3 (Pac-3) será primeiramente instalado em bases militares japonesas nos subúrbios de Tóquio e na base naval Yokosuka. Não há detalhes sobre quando os sistemas começarão ser instalados ou quantos mísseis serão usados. Mas o jornal garantiu que uma primeira leva de Pac-3 foi recebida recentemente na base americana em Okinawa, ilha ao sul do Japão, onde está a maior parte das forças americanas.

Com agências internacionais