Título: POLÍCIA CERCA CENTRO DE OAXACA, MAS NÃO CONSEGUE DETER MANIFESTANTES
Autor: Cristina Azevedo
Fonte: O Globo, 04/11/2006, O Mundo, p. 36

Protestos pedindo a derrubada do governo já duram cinco meses

OAXACA, México. Grupos que protestam contra o governo de Oaxaca refizeram ontem barricadas e voltaram a preparar bombas de fabricação caseira, enquanto a policia cercava o centro da cidade colonial depois de uma nova rodada de violência no conflito que já dura cinco meses.

Aproximadamente 50 manifestantes, usando máscaras de esqui, se entrincheiraram ontem atrás de ônibus e carros incendiados numa região que, na quinta-feira, fora palco de horas de conflito com a polícia. Numa outra rua, os manifestantes bloquearam o tráfego atravessando dois ônibus na pista. Fileiras de garrafas repletas de gasolina se alinhavam na calçada.

O presidente Vicente Fox enviou centenas de policiais federais a Oaxaca no último fim de semana, numa tentativa de pôr fim ao conflito que já matou dezenas de pessoas. O governo teme ainda que a onda de violência se dissemine por outras partes do país.

A polícia rapidamente isolou o centro colonial da cidade, mas não conseguiu controlar a situação nos arredores. Pelo menos dez policiais ficaram gravemente feridos nos enfrentamentos de quinta-feira.

Na principal praça de Oaxaca, centenas de policiais, alguns armados com rifles automáticos, montavam guarda ontem. Um grupo de 50 manifestantes ficou por horas protestando na praça, chamando os policiais de ¿assassinos¿. Os bares e cafés da praça reabriram, mas suas mesas continuavam vazias.

O conflito começou em maio, quando professores entraram em greve. Grupos de esquerdistas e indígenas se uniram aos grevistas pedindo a saída do governador de Oaxaca, Ulises Ruiz, acusado de corrupção.

¿ Minha cabeça não está na mesa de negociação ¿ afirmou ontem Ruiz. ¿ Fui eleito democraticamente e não acredito que gritarias e barricadas derrubem autoridades.