Título: Roseana Sarney pede sua desfiliação do PFL
Autor: Adriana Vasconcelos
Fonte: O Globo, 02/11/2006, O País, p. 14
Saída da senadora, que foi ameaçada de expulsão por apoiar a reeleição de Lula, muda tamanho de bancada
BRASÍLIA. Três dias depois de ser derrotada pelo candidato do PDT, Jackson Lago, no segundo turno da disputa pelo governo do Maranhão, a senadora Roseana Sarney encaminhou ontem seu pedido de desfiliação do PFL ao diretório estadual do partido. Ameaçada de expulsão, ainda durante a campanha, em razão do apoio declarado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentou lhe ajudar na reta final da campanha, Roseana tomou a iniciativa de sair e ainda não decidiu seu novo partido. De qualquer forma, sua decisão tem um efeito prático imediato: tira do PFL a condição de maior bancada do Senado.
Com a saída de Roseana, o PFL passa de 18 para 17 senadores, um a menos do que o PMDB. Isso enfraquece as pretensões anunciadas anteontem pela cúpula pefelista de reivindicar sua participação na disputa pela presidência do Senado em fevereiro. A senadora maranhense deverá tirar os próximos dias para descansar, mas seu destino começou a ser discutido numa reunião, ontem à noite, entre o ex-presidente Sarney e o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que trabalha nos bastidores para garantir sua própria reeleição no comando da Casa.
Tudo indica que Roseana deverá se filiar ao PMDB, o mesmo partido do pai. Além de reforçar a condição de maior bancada do PMDB, a senadora maranhense amplia seus próprios horizontes políticos, já que poderia ser indicada para compor a equipe ministerial de Lula, na cota de Sarney. Os rumores no Congresso são de que ela estaria interessada no Ministério das Cidades, mas sua derrota desconcerta o presidente Lula, que tem dito que, em seu novo governo, não repetiria o erro do primeiro de acomodar aliados que perderam as eleições.
O PFL poderá perder mais um senador: Edison Lobão (PFL-MA) também participaria ontem à noite da conversa com Sarney e Renan. Aliado da família Sarney, Lobão avalia ainda se seguirá os passos de Roseana. Poderá continuar no PFL, mas com poderes: ter o comando do partido no estado e/ou o cargo de primeiro secretário na Mesa do Senado, que é da cota pefelista.
Senadora não esconde mágoa com o partido
A cúpula do PFL não está em condições de rejeitar qualquer proposta que venha de Lobão, tendo em vista o fracasso do partido nas eleições. Só a permanência de Lobão na legenda permitirá que o partido tenha condições de brigar por um espaço maior na oposição.
A senadora pefelista não escondeu a mágoa em relação ao PFL, ao admitir a vitória de seu adversário no último domingo. No primeiro turno, ela chegou a conversar com o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, mas condicionou o seu apoio à uma intervenção no diretório estadual dos tucanos, que se recusava a apoiar sua candidatura. Sem acordo, o PSDB maranhense lançou um candidato próprio, Aderson Lago, que acabou aderindo à campanha do primo Jackson Lago. Com a própria eleição em risco, Roseana então anunciou seu apoio à reeleição de Lula, que na última semana de campanha chegou a dividir o palanque com a senadora pefelista em Timon (MA). Mas apesar dos apelos do presidente para que seus eleitores votassem também em Roseana, uma onda anti-Sarney falou mais alto e Lago acabou eleito.