Título: VEDOIN DEPÕE HOJE NO CONSELHO DE ÉTICA
Autor:
Fonte: O Globo, 07/11/2006, O País, p. 8

Em MS, delegado ouve pilotos que teriam sido contatados para transportar dinheiro do dossiê

BRASÍLIA e CAMPO GRANDE. Pela primeira vez desde o início do escândalo dos sanguessugas, em maio, o empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia, vai ficar cara a cara com os deputados que acusou de envolvimento no esquema de emendas parlamentares para compra de ambulâncias superfaturadas. Vedoin vai depor hoje, no Conselho de Ética da Câmara, como testemunha de acusação. O pedido foi feito pelos relatores dos 67 casos no conselho.

As acusações feitas por Vedoin influenciaram no resultado das eleições. Dos 67 deputados acusados, 24 desistiram da reeleição e, dos 43 que disputaram, apenas cinco se reelegeram. Alguns parlamentares acusados eram vaiados na ruas. Eles receberam um milhão de votos a menos que na eleição de 2002.

O Conselho de Ética iria ouvir Vedoin nas dependências da Polícia Federal, em Brasília, por causa de um ato da Mesa da Câmara que proíbe audiência pública de presos nas dependências do Congresso. Mas Vedoin obteve hábeas-corpus semana passada para ficar em liberdade e poderá depor no colegiado.

Na semana passada, o órgão ouviu Maria da Penha Lino, ex-funcionária do Ministério da Saúde na época do escândalo, que quase nada acrescentou ao caso.

O depoimento de Vedoin hoje será fundamental para o andamento dos processos dos cinco parlamentares reeleitos que devem continuar a tramitar na próxima legislatura. Os outros 62 processos, que envolvem não reeleitos, serão arquivados. Os cinco reeleitos são João Magalhães (PMDB-MG), Marcondes Gadelha (PSB-PB), Pedro Henry (PP-MT), Wellington Fagundes (PL-MT) e Wellington Roberto (PL-PB).

PF ouve pilotos no inquérito sobre dossiê contra tucanos

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o delegado da Polícia Federal Diógenes Curado Filho vai ouvir amanhã os depoimentos do piloto Tito Lívio Ferreira da Silva Júnior e de Arlindo Dias Barbosa, dono da empresa MS Táxi Aéreo. A polícia quer saber com quem eles conversaram nos dias que antecederam às prisões de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, no Hotel Íbis, em São Paulo.

Investigações feitas pela PF, a partir da quebra do sigilo telefônico de pessoas acusadas de participação na tentativa de compra de um dossiê contra tucanos, indicam que o piloto teria sido contatado para fazer o transporte de parte do dinheiro (R$1,7 milhão), entre São Paulo e Cuiabá, que o PT usaria para comprar o dossiê.

Barbosa disse que alguém o procurou pedindo orçamento para pegar um empresário em São Paulo e levá-lo até Cuiabá. E contou que não foi atendido quando ligou para dar o valor do serviço. Ele disse não se lembrar do nome de quem o procurou nem do empresário que precisaria pegar em São Paulo.