Título: RESULTADO DEIXA DIREITA SEM RUMO
Autor: Renato Galeno
Fonte: O Globo, 07/11/2006, O Mundo, p. 29

Adversários de sandinista esperavam um confronto no segundo turno

MANÁGUA. A provável vitória de Daniel Ortega deixou atônita a direita nicaragüense, que governa o país desde 1990. Antes da divulgação da apuração de mais de 40% das urnas, os candidatos Eduardo Montealegre, da Aliança Liberal Nicaragüense (ALN), e José Rizo, do Partido Liberal Constitucionalista (PLC), afirmavam ter certeza de que participariam de um segundo turno contra Ortega. O anúncio dos dados, porém, caiu como uma ducha de água fria, e ambos os partidos começaram a culpar um ao outro pela divisão dos votos liberais, o que teria provocado a vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

¿ Isso não termina até que o último voto seja contado ¿ afirmou Montealegre, ontem pela manhã. ¿ Temos certeza de que iremos para o segundo turno.

Na mesma entrevista, no entanto, ele já ressaltava a grande votação que a ALN recebera para a Assembléia Nacional. Analistas entenderam isso como concessão de que a luta presidencial já era considerada perdida.

Já Rizo afirmou que a lentidão na apuração e, principalmente, na transmissão da contagem no interior do país, era a razão por ele estar aparecendo em terceiro na contagem dos votos.

¿ Na contagem que nosso partido está fazendo, está claro que vai haver segundo turno, e eu estarei nele.

A divulgação dos novos dados por estados, no entanto, mostram não apenas que o candidato do PLC estava quase 20 pontos percentuais atrás de Ortega (e com pouco mais da metade de seu votos), como perdia para o sandinista até mesmo em seu estado, Jinotega.

Depois do anúncio de 40% dos votos, Rizo não voltou a falar. Militantes do PLC, no entanto, permaneceram do lado de fora da sede do partido. E culpavam Montealegre pela derrota.

¿ Montealegre dividiu os votos democráticos. Não queremos um retrocesso de 50 anos ¿ disse María José Oribe.

O MRS também disse suspeitar da isenção do Conselho Supremo Eleitoral, que é formado por políticos da FSLN e do PLC. Militantes do partido, no entanto, não conseguiam esconder a decepção com a fraca votação de Jarquín. Porém, indicavam que o partido tinha muito mais votos para deputado (10,16% do total) do que para presidente (7,5%), o que indicaria o voto útil de potenciais eleitores do MRS para Montealegre, que as pesquisas indicavam ser o único que poderia enfrentar Ortega.

O chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), Gustavo Fernández, afirmou que as eleições foram limpas:

¿ O voto foi pacífico, ordenado, maciço e de acordo com a lei ¿ afirmou.

A ONG Ética e Transparência, seção local da Transparência Internacional, reconheceu ontem a vitória de Ortega. De acordo com cálculo por amostragem, a empresa afirma que o sandinista terá quase 38,5% dos votos, nove à frente de Montealegre. Além disso, disse que houve alguns problemas em 2,2% das seções eleitorais do país.

A missão enviada pelos EUA, no entanto, disse não poder comprovar a legitimidade da votação. (R.G.)