Título: BERZOINI AFIRMA QUE QUER VOLTAR A PRESIDIR O PT
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 08/11/2006, O País, p. 10

Deputado ironiza ação dos novos governadores por mudanças no partido

BRASÍLIA. Disposto a comprar uma briga com os petistas ¿ como o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva ¿ que cobram uma refundação do PT, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) anunciou ontem que não pretende renunciar ao seu mandato de presidente da legenda para dar início ao processo de troca de comando. Ao contrário. Disse que irá reassumir o mandato, que só vence em outubro de 2008, tão logo sejam concluídas as investigações sobre sua participação na compra do dossiê contra os tucanos.

Berzoini alegou que seu licenciamento foi decidido ¿taticamente¿ para não atrapalhar a reeleição do presidente Lula, mas agora, segundo ele, o debate político sobre as mudanças no partido seguirá o calendário normal, que está no estatuto.

Na volta ao Congresso, ontem, Berzoini discursou no plenário da Câmara exaltando a vitória de Lula e pregando o entendimento com a oposição para a aprovação de matérias como a Lei Geral das micro e pequenas empresas, e a reforma política. No auge do escândalo do dossiê, ele foi afastado da coordenação da campanha de Lula e convencido a se licenciar da direção do partido, com expectativa de que viesse a renunciar ao final das investigações, para deflagrar o processo de sucessão.

Ontem anunciou que quer recuperar o mandato:

¿ Não é ir para o pau (com os que cobram mudanças). Essa é uma questão estatutária.

Retomada do cargo não está condicionada a investigações

Berzoini sustenta que tem conversado com os companheiros sobre o fato de o mandato ir até outubro de 2008, mas diz que o debate é que vai construir um diálogo politico interno sobre o que o PT quer, como preparar o congresso nacional do partido ano que vem, e como construir uma candidatura a presidente para 2010. Sobre as investigações, ele disse que devem ser concluídas brevemente, quando então deve reassumir a presidência do partido:

¿ Não estou condicionando a volta ao resultado da apuração, que pode concluir por um inquérito ou não. Estou absolutamente tranquilo em relação a isso. Inquérito não condena ninguém, no máximo indicia.

Ele chegou a ironizar o movimento dos governadores eleitos ¿ Marcelo Déda (SE) e Jaques Wagner (BA) ¿ que cobram mudanças para contemplar as novas lideranças regionais:

¿ Tem alguma liderança nova? São antigas, são companheiros. Não coloco a discussão nesses termos, tenho um mandato constituído pelas urnas e o mandato é minha única referência.

O governador do Acre, Jorge Viana, concorda que é preciso adiar a disputa interna:

¿ Qualquer tentativa de disputa de correntes agora no PT pode trazer dificuldades para o presidente Lula.