Título: Partidos bancaram campanha de mensaleiros
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 08/11/2006, O País, p. 10

Só o PT distribuiu mais de R$1,5 milhão entre os sete deputados acusados do escândalo do valerioduto

BRASÍLIA. Os partidos foram os maiores financiadores de campanha de mensaleiros. Mais de um terço (34,6%) do que arrecadaram saiu de legendas, revela levantamento do GLOBO nas prestações de contas de deputados envolvidos no valerioduto que concorreram à reeleição. O PT distribuiu mais de R$1,5 milhão para os sete deputados que mancharam a imagem do partido. Por outro lado, petistas que contam com o chamado voto ideológico, como Antônio Carlos Biscaia (RJ) e Paulo Delgado (MG), não viram a cor do dinheiro ¿ e não se reelegeram.

Dos 19 deputados ligados ao escândalo, 12 buscaram a reeleição. Sete tiveram o perdão nas urnas e, coincidência ou não, são os que receberam as maiores contribuições partidárias entre os acusados. Os dados de José Borba (PMDB-PR) não foram divulgados porque sua candidatura está sub-júdice.

As campanhas arrecadaram juntas R$8,1 milhões, sendo R$2,8 milhões repassados pelos comitês financeiros ou diretórios dos partidos. O mais prestigiado foi Valdemar Costa Neto (PL-SP), que recebeu da legenda da qual foi presidente 95% de tudo o que disse ter arrecadado. Costa Neto, que conseguiu se reeleger após renunciar para escapar da cassação, afirma ter levantado R$861 mil, pouco perto do que teria recebido do valerioduto: R$10,8 milhões.

José Genoino (PT-SP), que presidia o PT quando o mensalão era pago a aliados, bancou mais da metade de sua campanha com recursos partidários e também se elegeu. De acordo com a prestação de contas entregue por ele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram feitas 20 doações do comitê paulista e dos diretórios estadual e nacional, totalizando R$440,5 mil dos R$742,6 mil (59%) que informou ter levantado oficialmente. Desse total, R$100 mil foram repassados pelo construtora OAS.

Três mensaleiros petistas garantiram retorno ao Congresso com a ajuda de recursos do partido. João Paulo Cunha (SP) recebeu R$381 mil, sendo R$50 mil do diretório nacional. A maior fonte de recursos de José Mentor (SP) foi o PT paulista: R$193 mil. O paraense Paulo Rocha recebeu R$279 mil do diretório regional do PT no Pará, 46,9% do total declarado (R$594 mil).

Derrotados tiveram ajudas menos generosas dos partidos

Também se reelegeram Sandro Mabel (PL-GO) e Pedro Henry (PP-MT). O primeiro ganhou R$310 mil do partido. Henry obteve pouco mais de 10% dos R$464 mil que declarou ter arrecadado de doações do comitê regional do PPS.

Os derrotados nas urnas também receberam dinheiro dos partidos, mas em menor quantidade. Entre os petistas, Professor Luizinho (SP) ganhou R$187 mil; João Magno (MG), R$80 mil; e Josias Gomes, R$304. Completa a lista dos mensaleiros o petebista Romeu Queiróz (MG), que ganhou R$53,7 mil em quatro doações do PTB mineiro.