Título: DA MINHA PARTE, ERA PAGAMENTO DE COMISSÃO¿
Autor: Evandro Éboli
Fonte: O Globo, 08/11/2006, O País, p. 11

Deputado presente à sessão xinga Vedoin e nega envolvimento

BRASÍLIA. Durante seu depoimento, Vedoin agiu com frieza e demonstrou conhecer detalhes dos encontros com parlamentares, da forma como os pagava, do montante do dinheiro repassado e até quem os apresentou a outros deputados. No início, retrucou quando os deputados se referiam a esses pagamentos como ¿propina¿. Preferia chamar de ¿comissão¿. Mas, depois de meia hora, parecia não se incomodar mais.

¿ Da minha parte, era pagamento de comissão ¿ afirmou.

O dono da Planam confirmou o envolvimento de 32 deputados sobre os quais foi indagado. Quando questionado se um determinado parlamentar estava envolvido, respondia:

¿ Tenho emendas dele.

Vedoin isentou parcialmente dois deputados. Ele confirmou que Pedro Henry (PP-MT) recebeu um carro que usou, como ¿ajuda de campanha¿, e que depois o parlamentar devolveu. O empresário disse que não teve emenda dele executada, ou seja, não liberada pelo governo. Sobre Wellington Fagundes (PL-MT), Vedoin disse que não tinha contato com ele, mas que seu sócio, Romildo Medeiros, teria repassado dinheiro a uma pessoa que se dizia ligada a ele.

O empresário citou casos de parlamentares que receberam adiantamento para garantir a destinação de emendas para ele no futuro. Vedoin contou que, muitas vezes, ficou no prejuízo, porque a emenda nem sempre era liberada. Para ¿abrir as portas¿, como disse, ele chegou a presenteá-los com ônibus e até uma carreta.

Dono da Planam nega contato com Barjas e Costa

Vedoin negou que tenha tido contato direto com os ex-ministros da Saúde Barjas Negri e Humberto Costa, este do atual governo. Ele disse que o contato na gestão de Costa era com José Airton Cirillo, ex-assessor do ministério e que elegeu-se deputado federal pelo PT do Ceará.

Único deputado entre os 67 acusados que esteve na reunião de ontem, João Correia (PMDB-AC) pressionou Vedoin e xingou o empresário. Correia, que é acusado de ter recebido do esquema R$12 mil, chamou Vedoin de ¿crápula¿.

¿ Todas as afirmações do senhor são falsas. O senhor não apenas não compareceu ao meu gabinete em janeiro de 2006, como sequer veio à Câmara dos Deputados. O senhor é um crápula ¿ disse Correia a Vedoin.

O empresário confirmou o que já havia dito à Polícia Federal e à Justiça Federal: que esteve no gabinete de João Correia, que o conheceu através do ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC) e que entregou a ele, em seu gabinete, R$12 mil em espécie.

No fim, Vedoin se recusou a responder às perguntas dos advogados dos deputados acusados, dizendo que estava ali para ser questionado pelos relatores. O advogado Paulo Goyaz disse que Vedoin ¿fala o que quer¿ e não aceita o contraditório.