Título: PF revela ligações entre Planalto e Freud Godoy
Autor: Bernardo de La Peña e Francisco Leali
Fonte: O Globo, 09/11/2006, O País, p. 11

Contatos ocorreram em dias próximos aos da negociação para a compra do dossiê contra políticos tucanos

BRASÍLIA. Dados da quebra de sigilo telefônico feita pela Polícia Federal e remetidos à CPI dos Sanguessugas mostram que foram feitas do Palácio do Planalto 19 ligações para o celular de Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente Lula, entre os dias 15 e 17 de setembro. Na madrugada do dia 15, Valdebran Padilha e Gedimar Passos foram presos em São Paulo tentando comprar o dossiê por R$1,7 milhão.

O primeiro telefonema para o auxiliar do presidente ocorreu às 7h23m do dia 15. Na tarde desse dia, Freud recebeu mais quatro telefonemas do Planalto. Naquele momento, embora ele já tivesse sido citado por Gedimar em depoimento na Polícia Federal, o seu envolvimento no caso não havia sido divulgado. Quando isso ocorreu, segunda-feira, Freud se afastou do cargo. No domingo, ele recebeu no mesmo celular 14 telefonemas dos números da Presidência.

A quebra do sigilo revela ainda uma frenética troca de telefonemas entre os petistas acusados de envolvimento na compra do dossiê nos dias 14 e 15 de setembro. No dia 14, estava em negociação a compra do dossiê produzido pela família Vedoin. No dia 15, com Valdebran e Gedimar presos, os demais ¿petistas aloprados¿, como foram chamados pelo presidente Lula, trocam dezenas de telefonemas.

Segundo documentos da PF, o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso madrugou no dia 15. Fez duas ligações, às 6h15m e às 6h20m, para um número da operadora Nextel de Brasília. O telefone chamou atenção dos parlamentares da CPI dos Sanguessugas por ter mais de 15 contatos com os telefones de outros envolvidos, no período em que o dossiê estava sendo negociado.

Foram trocados pelo menos 12 telefonemas entre o Nextel para o qual Expedito ligou logo cedo e números do comitê de campanha do presidente Lula. Um dos aparelhos, um celular, era usado por Osvaldo Bargas, ex-assessor do ex-presidente do PT, Ricardo Berzoini.

No mesmo dia 15, o telefone Nextel fez quatro ligações para um aparelho de celular registrado em nome de Ana Paula Cardoso Vieira. A PF suspeita que o número de Ana Paula era usado por Hamilton Lacerda, ex-assessor do senador Aloizio Mercadante e apontado pela PF como quem foi ao Hotel Íbis entregar a maior parte do dinheiro apreendido com Gedimar e Valdebran.

A relação de números inclui até um telefone fixo da sucursal de Brasília da ¿Folha de S. Paulo¿. A PF sustenta que não sabia que o número era do jornal. Apenas queria identificar ligações feitas para os envolvidos. Na verdade, eram repórteres tentando localizar os ¿petistas aloprados¿ depois da prisão de Valdebran e Gedimar.