Título: Para ONU, baixo crescimento do país em 2005 e 2006 afetará futuro IDH
Autor: Lino Rodrigues
Fonte: O Globo, 11/11/2006, Economia, p. 48
Assessor do Pnud sugere investir em saúde e educação para compensar PIB
SÃO PAULO. As baixas taxas de crescimento econômico do Brasil em 2005 e 2006 deverão comprometer o avanço do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país nesse período. A previsão é do assessor de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil, José Carlos Libânio, e se baseia no fraco desempenho da economia no ano passado e nas previsões para este ano. Em 2005, a economia brasileira cresceu pífios 2,3%. para este ano, as estimativas são de expansão de 3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto das riquezas produzidas no país).
Segundo Libânio, o crescimento de 4,9% da economia em 2004 - a maior expansão dos últimos dez anos - respondeu pela maior parte do aumento do IDH do país no mesmo ano, de 0,788 para 0,792. Como a onu divulga o IDH com dois anos de defasagem, a preocupação agora é com os dois próximos índices que, já se sabe, não terão mais o efeito positivo do PIB.
Além disso, não houve grandes melhoras nos programas educacionais do país, paralisados em 2004 comparativamente a 2003, nem na saúde, que teve um ligeiro acréscimo na expectativa de vida dos brasileiros (de 70,5 anos em 2003 para 70,8 anos). Educação e longevidade compõem, junto com a renda per capita, o IDH.
- O crescimento do PIB em 2004 respondeu por mais de um terço do IDH brasileiro. para o índice de 2005, o país terá de compensar com crescimento nos indicadores de saúde e educação - afirmou o assessor do Pnud no país, que analisou os dados do relatório da onu em evento promovido ontem pelo Instituto Ayrton Senna.
"É preciso subir o IDH dos estados mais pobres"
Outro problema, apontado por Libânio, para o Brasil manter o ritmo anual de crescimento do seu IDH, que vem desacelerando desde 2000 (em 2004, ficou em 0,22%) é que o país compete com outras nações por uma colocação melhor no ranking da onu. Ele salienta, no entanto, que não acredita que o Brasil registre queda no seu Índice de Desenvolvimento Humano em 2005 e 2006. Por outro lado, acha que há grandes chances de o país recuar mais na lista da onu - como aconteceu em 2004, quando caiu da 68ª para a 69ª posição.
Uma das saídas sugeridas pelo assessor das Nações Unidas para que o Brasil melhore seu desempenho é o aumento do valor do IDH de estados cujos índices estão muito baixos, como Maranhão, Alagoas e Piauí. Além disso, segundo Libânio, a aprovação do Fundeb (fundo criado para financiar a educação básica) seria fundamental para evitar a evasão escolar, reter as crianças na sala de aula e dotar de infra-estrutura financeira as escolas brasileiras.
- Precisamos subir o IDH desses estados. Aumentar o IDH de estados ricos como São Paulo e Rio não vai fazer subir o IDH médio do país, que é o que conta no relatório da onu - observa Libânio.