Título: INFECÇÃO POR HIV AUMENTA EM TODO O MUNDO
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Fonte: O Globo, 22/11/2006, Ciência e Vida, p. 34

O número de mortes por Aids é o maior já registrado desde o início da pandemia, há 25 anos: 2,9 milhões

GENEBRA. O número de infecções pelo HIV aumenta em todas as regiões do mundo e, o mais preocupante, em países como Uganda, cuja história de combate à Aids vinha sendo alardeada como sucesso. Os novos números servem de alerta ao Brasil, também sempre citado como um caso exemplar e onde o vírus se espalha agora entre a população mais velha. O relatório anual sobre a epidemia, divulgado ontem pelo Programa de Aids das Nações Unidas (Unaids) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), revela ainda um número preocupante de mortes. Foram 2,9 milhões de óbitos em decorrência da doença no ano passado, a maior cifra já registrada desde o início da pandemia, há 25 anos.

De acordo com as estimativas, 39,5 milhões de adultos e crianças estão infectados em todo o mundo. O maior aumento do número de novos casos foi registrado na Ásia (no leste e no centro) e na Europa (no leste), principalmente em razão do uso de drogas injetáveis e do sexo sem proteção. Segundo o relatório, uma pessoa é infectada pelo HIV a cada oito segundos, o que equivale a 11 mil novas infecções por dia. A cada dia também, oito mil pessoas morrem em decorrência da doença.

- Os indícios mostram novamente que a epidemia global está crescendo em todas as áreas - afirmou o diretor-executivo do Unaids, Peter Piot. - Mas o mais preocupante para mim é o fato de alguns países que tinham alcançado resultados reais na luta contra a Aids, como Uganda e algumas nações do Oriente, registrarem aumento no número de infecções.

Somente este ano, 4,3 milhões de pessoas contraíram o HIV, com uma grande concentração de novos casos entre jovens. A África Subsaariana, onde foram registradas 2,8 milhões novas infecções em 2006, segue sendo a região mais afetada do planeta, com 24,7 milhões de pessoas contaminadas. A grande maioria das mortes, 2,1 milhão, também ocorreu na África.

Uganda está entre os países que registram um aumento significativo nas taxas de infecção depois de um período de estabilidade e mesmo declínio. O aumento estaria associado, sobretudo, ao uso inadequado de preservativos.

Segundo Karen Stanecki, epidemiologista do Unaids, o número de novas infecções continua caindo na Tailândia, mas o perfil da epidemia mudou bastante, atingindo hoje, por exemplo, muitas mulheres casadas. Ela aponta ainda que o problema dos usuários de drogas injetáveis é negligenciado pelo governo.

Inclui quadro:A epidemia pelo planeta