Título: MINAS GANHARÁ SAÍDA PARA O MAR NO RIO
Autor: José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 29/11/2006, Rio, p. 16

Estado terá porto em Itaguaí

Eles viajaram juntos aos Estados Unidos. E juntos vêm participando de reuniões no Banco Mundial (Bird) e no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), anunciando a todos os interlocutores que se tornaram parceiros inseparáveis: Sérgio Cabral e Aécio Neves, governador de Minas Gerais.

E a parceira entre os dois estados está tão bem azeitada que, segundo Cabral, em meio a vários projetos que ambos tocarão em comum, está um de aspecto milagroso: o Rio vai dar um mar a Minas Gerais.

-- Minas, por mais que o Aécio tente, ainda não tem mar. Mas eu vou permitir que Minas tenha mar - revelou ele, contando que cederá a área de 1,1 milhão de metros quadrados onde funcionava a Ingá, em Itaguaí, às margens da Baía de Sepetiba, para que Minas tenha o seu porto, por onde escoará minérios e outros produtos.

Trata-se de uma área totalmente poluída, que está interditada desde que a firma quebrou. Segundo Cabral, o lugar, numa parceria com Minas e provável financiamento de bancos multilaterais - Bird e BID - voltará a ter vida útil:

- O maior credor da Ingá é o BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), do governo mineiro. Já estamos conversando com o interventor. O projeto ainda está se iniciando, mas será um fruto dessa nossa parceria.

Aécio, por sua vez, disse que se trata de um projeto audacioso, que, além de resolver um problema ambiental do Rio, abrirá um caminho de Minas para o mar:

-- Como dizia o poeta, o mar geme e chora porque não banha Minas Gerais.

Nos encontros no Bird e no BID, Neves tem funcionado como uma espécie de avalista moral e político de Cabral. Ele o apresenta a todos como membro de uma nova geração de administradores públicos brasileiros:

-- O caráter de ineditismo desta viagem é que venho acompanhado de Sérgio Cabral. Além de um grande amigo, é um grande parceiro em termos de visão que nós temos de país. Sem contar que Rio e Minas têm economias complementares em diversos setores. Buscamos projetos em parceria que fortaleçam nossas economias e, obviamente, gerem emprego e renda - disse Aécio.

Cabral deu ao BID a sugestão de financiar um novo programa de urbanização de favelas. O banco há anos financia o Favela- Bairro.

- Nosso programa tem um novo conceito, que transformará as favelas realmente em bairros. Isso mudará a relação entre a favela e a cidade do Rio, acabando com o conceito de gueto. É uma inspiração que vem do século XIX, em Paris. O primeiro projeto está pronto: é o da Rocinha. Custará US$80 milhões - disse ele, ao entregar o plano que será analisado pelo BID.