Título: PCdoB e PSB negociam com Lula
Autor: Damé, Luiza e Jungblut, Cristiane
Fonte: O Globo, 05/12/2006, O País, p. 5

Partidos esperam manter cota de ministérios que já ocupam no governo

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve ontem mais uma rodada de negociações com os partidos e recebeu a confirmação do apoio de dois aliados históricos ao seu segundo mandato: PCdoB e PSB. O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, deixou o Palácio do Planalto dizendo que a participação do partido no governo se baseará na agenda de propostas mínimas apresentada por Lula, mas não implicará apoio a medidas que firam o programa partidário ¿ por exemplo, a reforma da Previdência.

Na primeira conversa, Lula não decidiu nada sobre cargos, mas a expectativa dos dois partidos é manter, no mínimo, a cota que já têm ¿ o PCdoB está no Ministério dos Esportes e o PSB, na Ciência e Tecnologia e na Integração Nacional. Os dois partidos reivindicaram também um tratamento diferente pelo fato de estarem com Lula desde sua primeira eleição presidencial.

O presidente do PSB, o governador eleito de Pernambuco, Eduardo Campos, informou a Lula que o partido apresentará propostas para o desenvolvimento econômico do país. Na semana passada, um dos principais nomes do partido, o deputado eleito Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro de Lula, disse que o crescimento do PIB no terceiro trimestre tinha sido medíocre. Ontem Campos afirmou que as propostas do partido coincidirão com a visão de desenvolvimento de Lula, combinando crescimento econômico e responsabilidade fiscal.

Em 2002, PCdoB discordou da ¿Carta aos Brasileiros¿

Rabelo lembrou que em 2002 o PCdoB discordava da ¿Carta aos Brasileiros¿, mas agora concorda com a plataforma apresentada por Lula. Uma nova reforma da Previdência, por exemplo, não está no programa de Lula.

¿ Os partidos têm de ter independência no governo. Nosso compromisso é com a plataforma. Formada a coalizão, vamos marchar com o governo, a não ser que fira princípios do PCdoB ¿ disse Rabelo, lembrando a antiga relação que tem com Lula. ¿ PT e PMDB são os maiores partidos, mas temos uma relação de mais tempo, de mais confiança. Apoiamos o presidente desde 1989. É uma relação histórica. Temos mais afinidade para aplicar o programa.

Rabelo negou que o partido tenha tratado de cargos com o presidente. O PCdoB ocupa o Ministério dos Esportes, com Orlando Silva, mas o ex-ministro Agnelo Queiroz teria negociado com Lula o seu retorno ao cargo. Negou também que tenha tratado da reeleição do presidente da Câmara, Aldo Rebelo:

¿ A candidatura do Aldo só é compreensível com apoio amplo da base. O Aldo não é candidato do PCdoB, que é um partido pequeno. Seria muita pretensão.

O PSB fez um discurso semelhante em relação a cargos, mas defendeu a reeleição de Aldo. Sobre a divisão da base em relação à presidência da Câmara, Eduardo Campos disse esperar que os erros de 2005, que redundaram na eleição de Severino Cavalcanti, não sejam repetidos.

¿ O PSB tem claramente simpatia pela reeleição do companheiro Aldo. O presidente tem uma relação de extrema responsabilidade pelas instituições e seus presidentes ¿ disse Eduardo Campos, ao negar que Lula vá interferir na eleição da Câmara: ¿ Como o presidente gosta de usar metáforas de futebol, também vou usar uma: por que mexer em time que está ganhando?

Segundo Campos, o presidente ficou de marcar um próxima reunião para discutir com o partido a formação do governo. Ele disse que o PSB apoiará o governo independentemente dos cargos:

¿ O foco neste momento é político. O presidente não está colocando esse ponto (cargos) como principal. O presidente disse que, se tem alguém angustiado, a preocupação dele é com a agenda de desenvolvimento.