Título: Fundos de pensão têm até R$80 bi para aplicar em infra-estrutura
Autor: Eloy, Patricia
Fonte: O Globo, 05/12/2006, Economia, p. 22
Petros destinará R$3 bi ao setor e estuda financiar Arco Rodoviário
Os bilionários fundos de pensão brasileiros estão preparados para injetar até R$80 bilhões nos próximos oito anos na infra-estrutura brasileira, beneficiando projetos de saneamento e energia, por exemplo. A estimativa é de Wagner Pinheiro de Oliveira, presidente da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. Somente a Petros já aprovou R$950 milhões para o setor, dos quais 10% estão sendo efetivamente investidos em termelétricas e linhas de transmissão. A meta é chegar a R$3 bilhões nos próximos anos, o equivalente a 10% do patrimônio da Petros.
Segundo Oliveira, a queda da taxa básica de juros (Selic) está fazendo com que as fundações troquem as tradicionais aplicações em títulos do Tesouro Nacional pelos investimentos em infra-estrutura, para fazer frente à meta atuarial das carteiras.
¿ Hoje os fundos de pensão têm R$350 bilhões em ativos, dos quais R$190 bilhões estão investidos em títulos públicos. Este quadro deve mudar nos próximos três a oito anos, quando até R$80 bilhões devem ser destinados a investimentos produtivos. E a infra-estrutura deve receber a maior parte destes recursos ¿ explicou Oliveira, durante palestra na Associação Comercial do Rio.
Ele lembrou que, em 2002, títulos públicos de longo prazo indexados à inflação rendiam 11% ao ano. Hoje, rendem 8%, sendo que a meta atuarial da Petros é de 6% mais inflação. A perda de rentabilidade aumentou a procura das fundações por investimentos em infra-estrutura e ações.
A Petros pretende investir na construção do Arco Rodoviário do Rio de Janeiro, estimada em R$700 milhões.
¿ Este é um projeto que estamos namorando ¿ disse.
A Petros já aplica R$180 milhões num fundo de investimento em participações de R$700 milhões, que deve ser lançado esta semana. Os recursos são destinados a projetos de saneamento, energia e óleo e gás.
Petrobras não muda proposta de repactuação de dívida
A Petrobras vai reapresentar este mês a proposta de repactuação das dívidas da estatal que havia sido rejeitada em setembro. Segundo Oliveira, a instituição não alterou os termos do acordo ¿ que prevê a renegociação do rombo atuarial de R$5 bilhões em até 30 anos ¿ e deverá incorporá-lo ao processo de negociação salarial de dezembro. A intenção é estender até fevereiro o prazo para que aposentados e pensionistas possam aderir.